A pendência de processos de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ameaça alterar a composição de vagas na Câmara, no Senado e em governos estaduais nas eleições deste ano.O volume de recursos em análise, entre os cerca de 20 mil pedidos recebidos pela Justiça Eleitoral, mantém a distribuição das cadeiras em aberto e pode redefinir as bancadas eleitas mesmo após a totalização inicial dos votos nas urnas.O risco para o eleitor é a anulação posterior de votos, pois quem digita o número dos candidatos com registro negado assume o risco de ver esse voto sumir do cálculo oficial caso os recursos sejam negados definitivamente em última instância.TSE soma 376 candidaturas indeferidas na reta final Com dados apurados no Divulcandcontas da Justiça Eleitoral neste sábado (3), havia 671 casos em tramitação. As restrições às candidaturas se dividem em dois tipos:551 candidaturas indeferidas com recurso: mantém direito de fazer campanha, figuram na tela da urna eletrônica e acumulam votos sob a condição de sub judice;475 candidatos com registro negado em definitivo: tiveram o indeferimento decretado sem margem para recurso imediato nas eleições.É importante destacar que os votos destinados a candidaturas na condição de sub judice permanecem congelados no sistema eleitoral. Se a defesa obtiver decisão favorável nos tribunais, esses votos são convertidos automaticamente em válidos. Caso o registro seja mantido como indeferido, a anulação dos votos exige a retotalização dos quocientes partidários.Deputados concentram maior volume de registros barradosEntre os cargos proporcionais, 241 candidaturas a deputado estadual e 214 a deputado federal estão barradas com recurso.Na disputa para suplente de senador, são 43 registros nessa condição. Já entre os cargos majoritários, há 15 candidatos a governador, 13 a vice-governador e 22 a senador com o registro indeferido, mas ainda sob recurso.Nos casos de indeferimento definitivo, 213 candidatos a deputado estadual e 201 a deputado federal tiveram o registro negado sem recurso imediato no pleito. A lista também inclui 30 suplentes de senador, 10 candidatos a governador, 7 a vice-governador, 6 a senador e 1 candidato à Presidência da República. Indeferimentos atingem nomes da política nacionalNomes de peso da política nacional integram a lista do TSE. O registro de Pablo Marçal (PRTB) para a Presidência da República consta como barrado em definitivo.Nos Estados, a Justiça Eleitoral negou as candidaturas de Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), em cujo caso ainda cabe recurso, e de José Roberto Arruda (PSD-DF), cuja situação já é definitiva. Tramitação de recursos trava definição oficial das bancadasA Resolução TSE nº 23.609 disciplina os critérios de bloqueio. De acordo com o texto normativo, as candidaturas indeferidas ocorrem por falta de documentação formal ou por enquadramento na Lei da Ficha Limpa.Inelegibilidades decorrem prioritariamente de condenações por:Crimes contra a economia popular, patrimônio público ou sistema financeiro;Lavagem de dinheiro, crimes ambientais e abuso de autoridade;Atuação em organização criminosa, tráfico de drogas e crimes contra a vida.As contestações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), partidos ou coligações abrem o prazo legal de sete dias para a defesa protocolar recurso. O acompanhamento em tempo real da situação jurídica dos postulantes está disponível na plataforma oficial DivulgaCandContas, mantida pela Justiça Eleitoral para transparência do processo nas eleições de 2026.* Sob supervisão de Maria Carolina Abe