A nova regulação das criptomoedas no Brasil colocou as exchanges diante de uma decisão que deve redesenhar o mercado no país: pedir autorização ao Banco Central para continuar operando sob as novas regras ou reduzir, mudar ou até encerrar suas atividades.Desde fevereiro de 2026, as empresas que oferecem serviços como compra e venda, intermediação e custódia de criptoativos passaram a ser enquadradas em um novo regime regulatório. As normas criaram as chamadas Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), que precisam de autorização do BC para funcionar.Para as companhias que já estavam em atividade quando as regras entraram em vigor, o Banco Central estabeleceu um período de transição. O pedido de autorização deve ser feito até 30 de outubro de 2026, segundo a regulamentação da autarquia.Esse processo começou a dividir o mercado brasileiro em grupos diferentes. Algumas exchanges já afirmam estar em processo de autorização ou disseram publicamente que apresentarão o pedido. Outras decidiram que os custos e as exigências para continuar operando não compensam e anunciaram a saída do mercado. Há ainda grandes plataformas, principalmente estrangeiras, que seguem atendendo brasileiros sem terem esclarecido publicamente como pretendem se enquadrar no novo regime.A situação também não é necessariamente binária. Empresas como Ripio e Crypto.com, por exemplo, fizeram mudanças relevantes em seus produtos e operações nas últimas semanas, mas continuam oferecendo pelo menos parte de seus serviços no país. Além disso, existem outros serviços além das exchanges que também precisarão de autorização, mas se enquadram em situações diferentes.Prazo do Banco Central já muda o mercadoAs Resoluções BCB 519, 520 e 521 estabeleceram exigências de capital, governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança e segregação dos recursos dos clientes, entre outras obrigações.O impacto dessas exigências já aparece no mercado. Coinext e Digitra decidiram não apresentar o pedido de autorização e começaram a encerrar suas operações de exchange. A NovaDAX desativou as negociações ainda em julho. A Bitso, por sua vez, optou por deixar de oferecer serviços diretamente a clientes de varejo no Brasil e direcionou usuários ao Mercado Bitcoin (MB).Outras companhias escolheram caminhos intermediários. A Crypto.com vai encerrar em 25 de outubro a conta em reais, incluindo depósitos, saques e negociações entre BRL e criptomoedas, mas continuará permitindo depósitos, retiradas e negociações com criptoativos.A Ripio também continuará no país, mas deixará de manter saldos diretamente em reais a partir de 30 de outubro. Os depósitos em moeda brasileira passarão a ser convertidos automaticamente para wBRL, stablecoin pareada ao real, enquanto os saques em reais continuarão disponíveis via Pix. A Bity também fez ajustes e anunciou uma parceria para migrar seus clientes para o MB.O calendário regulatório também sofreu um ajuste recente. A Resolução BCB 589, publicada em setembro, determinou que, a partir de 6 de novembro de 2026, instituições financeiras, instituições de pagamento e outras empresas autorizadas pelo BC não poderão realizar ou viabilizar operações com prestadores de serviços de ativos virtuais fora das condições permitidas pela regulamentação. O prazo de 30 de outubro para as empresas que já estavam em atividade apresentarem o pedido, porém, foi mantido.Veja a situação das principais exchanges no BrasilA tabela abaixo acompanha a situação das principais exchanges que atendem ou atenderam clientes brasileiros. Em “Sim” estão empresas que afirmam estar em processo de autorização ou que declararam publicamente que pretendem protocolar o pedido, mesmo que não apareça ainda no sistema do BC. Isso também não significa que a licença já tenha sido concedida.“Não” identifica empresas que anunciaram que não apresentarão o pedido ou que estão encerrando a operação de exchange/varejo à qual a autorização se aplicaria. Já as exchanges marcadas com “?” são as que não confirmaram publicamente o pedido, não estão no sistema do BC e não responderam ao contato do Portal do Bitcoin perguntando sobre o caso até o momento.ExchangeAutorizaçãoSituaçãoBinance?Continua operando no Brasil. Não foi localizado um anúncio oficial de pedido de autorização.Bipa?A Bipa Instituição de Pagamento está em processo de autorização junto ao BC, mas esse não é necessariamente um pedido de SPSAV.Bitget?A CEO Gracy Chen afirmou que a presença da empresa no Brasil “é de longo prazo” e que estão falando com reguladores, mas não confirmou que o pedido será feito.BitsoNãoEncerrará os serviços diretos a clientes de varejo no Brasil até 30 de outubro. Os clientes podem migrar para o Mercado Bitcoin.BityNãoTambém anunciou parceria com o Mercado Bitcoin para migrar seus clientes no Brasil.Brasil Bitcoin?A empresa informa em seu site que está em processo de autorização pelo Banco Central, mas não confirmou ainda se entrará mesmo com o pedido.BybitSimO CEO Ben Zhou afirmou publicamente a intenção de buscar a licença.CoinbaseSimA Coinbase declarou que pretende solicitar autorização como SPSAV.CoinextNãoA exchange afirmou o encerramento da atividade de corretora de ativos virtuais.Crypto.comNãoContinuará oferecendo serviços com criptomoedas, mas encerrará sua conta em reais em 25 de outubro, eliminando depósitos, saques e negociação direta em BRL.Digitra.comNãoA empresa confirmou o encerramento das atividades de negociação e custódia de ativos virtuais no Brasil.FoxbitSimA Foxbit declarou que protocolará o pedido de autorização como PSAV dentro do prazo.Gate.io?Reportagem do Valor Econômico de março diz que a exchange não teria intenção de buscar a licença no Brasil, mas a empresa não confirmou publicamente essa decisão.Kraken?Segue atendendo clientes brasileiros e permite depósitos em reais. Não confirmou nem negou que irá pedir autorização como SPSAV.KuCoin?Também não confirmou que irá pedir o registro ou não, mas uma reportagem do Valor Econômico apontou, em março, que a exchange não teria intenção de se submeter ao processo de licença.Mercado BitcoinSimO Mercado Bitcoin informa oficialmente que se encontra em processo de autorização para atuar como corretora de ativos virtuais junto ao Banco Central.NovaDAXNãoAs atividades de negociação foram totalmente desativadas em julho.OKX?Mantém entidade brasileira e segue oferecendo seus principais serviços no país, mas ainda não confirmou se irá pedir ou não a autorização como SPSAV.RipioNãoA partir de 30 de outubro, deixará de manter saldo em reais e converterá depósitos para a stablecoin wBRL.TruBit?Continua com presença e serviços voltados ao mercado brasileiro, mas não declarou oficialmente sobre pedido de autorização como SPSAV.A tabela acima será atualizada sempre que houver novidades sobre a situação de cada empresa, seja por comunicação pública, sinalizações ou contato direto com o Portal do Bitcoin. Isso porque algumas das maiores plataformas do mercado ainda não divulgaram publicamente se protocolaram ou pretendem protocolar a documentação exigida pelo Banco Central.Também é importante diferenciar outros tipos de autorização regulatória da licença para atuar como SPSAV. Uma exchange pode pertencer a um grupo que tenha uma corretora de valores ou uma instituição de pagamento autorizada pelo Banco Central sem que isso, automaticamente, signifique que sua atividade com criptomoedas já esteja autorizada dentro do novo regime.Pedido ao BC ainda não significa licença concedidaMesmo entre as empresas classificadas como “Sim”, há diferenças importantes. Há algumas empresas que já dizem publicamente que estão em processo de autorização, enquanto outras confirmaram a intenção de buscar a licença.Em todos esses casos, a autorização definitiva depende da análise do Banco Central. Portanto, durante o período de transição, dizer que uma exchange está “em processo de autorização” não significa que o regulador já tenha aprovado seu funcionamento sob o novo regime.Essa diferença tende a ganhar importância conforme o processo avançar. O mercado que chegar ao fim da transição pode ser menor do que o existente antes da regulação, com algumas empresas deixando o varejo, outras reduzindo produtos e as que decidirem permanecer passando a operar sob exigências mais próximas das aplicadas ao restante do sistema financeiro.Por isso, a situação das exchanges no Brasil ainda está em movimento. O ponto central, daqui em diante, será acompanhar quais empresas efetivamente apresentarão o pedido ao Banco Central, quais conseguirão avançar no processo de autorização e quais optarão por mudar ou encerrar suas operações no país.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post Regulação cripto: veja a situação de cada exchange no processo de autorização do Banco Central apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.