O piloto suspeito de ter esfaqueado outro piloto a bordo de um voo da Flydubai com destino a Tel Aviv, na quarta-feira (30), foi afastado de um emprego anterior na companhia aérea nacional de Omã no ano passado, devido a preocupações com suas visões extremistas; a informação foi dada à CNN por duas fontes a par do assunto.O piloto é um cidadão omanense chamado Hamam al-Hammami, segundo uma das fontes. Ele nasceu nos Emirados Árabes Unidos, filho de pai omanense e mãe síria, e passou vários anos de sua vida nos Emirados, acrescentaram as fontes. Uma autoridade israelense também confirmou a identidade de al-Hammami, assim como a mídia estatal saudita.Um perfil no LinkedIn em nome de Hamam al-Hammami indicava que ele trabalhou na Oman Air por sete anos, saindo em fevereiro de 2025, antes de ingressar na Royal Air Maroc em junho de 2025 e deixar a empresa em janeiro de 2026. A página não mencionava a Flydubai. Uma das fontes confirmou que o perfil pertence ao piloto da Flydubai envolvido no incidente de quarta-feira. Leia Mais Israel suspeita que piloto de Omã queria sequestrar avião da Flydubai Plano de copiloto era derrubar avião da Flydubai, diz Netanyahu Passageiros de voo desviado após briga de pilotos chegam a Israel O perfil foi excluído posteriormente, e a CNN entrou em contato com o LinkedIn para solicitar comentários.Enquanto isso, uma fonte diplomática regional a par do assunto disse à CNN que o suspeito foi afastado do treinamento de voo devido a preocupações com suas visões radicais e recebeu outra função na companhia aérea nacional de Omã.Na quinta-feira (1°), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que se suspeitava que o indivíduo tivesse passado por um processo de “doutrinação radical islâmica“.A autoridade israelense disse à CNN que al-Hammami trabalhava na Flydubai há apenas oito meses. Uma quarta fonte informou que o suposto agressor havia trabalhado anteriormente na Royal Air Maroc.Essas revelações devem suscitar preocupações sobre a importância da verificação de antecedentes em contratações no setor de aviação. A CNN entrou em contato com a Oman Air, a Royal Air Maroc e o escritório de mídia do governo de Dubai para solicitar comentários.A Flydubai declarou que não poderia comentar o caso enquanto o incidente estivesse sob investigação.Ameaças de mutilação e morteApenas duas publicações foram feitas no perfil do LinkedIn, e ambas foram postadas em rápida sucessão na quarta-feira, cerca de nove horas após o incidente.Não está claro quem fez as publicações ou se elas haviam sido agendadas com antecedência.A primeira publicação trazia uma série de vídeos curtos filmados na cabine de comando de uma aeronave Boeing 737 Max. A aeronave que desviou a rota para a Arábia Saudita no incidente de quarta-feira era um 737 Max 8 da Flydubai.Em um dos vídeos, cuja localização a CNN identificou como sendo o Aeroporto Internacional de Dubai, a pessoa que filmava dá um zoom em aviões pertencentes às companhias aéreas israelenses El Al e Arkia.No vídeo, a tela da cabine de comando exibia o número do voo — OMA624 — e a data: 11 de outubro de 2023. O número do voo corresponde a uma rota que normalmente faz o trajeto de Dubai a Mascate. A data coincide com o período em que ele trabalhou na Oman Air.O vídeo termina com uma foto de Ayman al-Zawahiri, que liderou a Al-Qaeda após a morte de Osama bin Laden, e uma foto de Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi — leal à Al-Qaeda e responsável pela morte de nove pessoas, incluindo sete oficiais e prestadores de serviço da CIA americana, em um atentado de 2009.A segunda publicação apresenta uma imagem gerada por inteligência artificial que retrata os três locais mais sagrados do Islã — em Meca, Medina e Jerusalém — conectados por um rastro luminoso contínuo. Um poema desafiador, recitado ao fundo, fala sobre rejeitar a humilhação, não temer a morte e defender a própria dignidade.A página de Al-Hammami no LinkedIn informava que ele estudou na Buckinghamshire New University, na Inglaterra. Uma fonte da universidade confirmou à CNN que um homem com esse nome concluiu um curso de três anos na modalidade de ensino a distância, graduando-se em gestão de aviação em 2023.Os mesmos dois vídeos foram publicados, quase ao mesmo tempo, em uma conta do Instagram com o mesmo nome e as mesmas fotos, antes de essa conta também ser excluída. A CNN entrou em contato com a Meta para solicitar um comentário.Postagens críticasUma análise da CNN sobre a conta excluída de al-Hammami no Twitter revela um homem profundamente religioso e misógino.Em postagens excluídas, al-Hammami relatou as dificuldades que sua mãe enfrentou para encontrar para ele uma possível esposa que aceitasse suas condições: usar o niqab (véu que cobre o rosto) e parar de trabalhar após o casamento.“Todas recusaram. Então minha mãe lhes disse: ‘Meu filho é piloto’, e todas concordaram imediatamente”, dizia a publicação de fevereiro de 2022.As postagens também criticavam ambientes de trabalho mistos (com homens e mulheres), alegando que eles tinham um efeito corruptor sobre as mulheres.“Quantas moças respeitáveis e religiosas foram arruinadas em ambientes de trabalho mistos e manipuladas?”, dizia uma publicação de janeiro de 2022.Os quase 3 mil tweets excluídos, publicados entre 2021 e 2022, foram analisados e classificados utilizando um modelo de busca semântica baseado em inteligência artificial.A CNN não encontrou, entre as postagens analisadas, nenhuma manifestação de apoio aos palestinos ou críticas à forma como Israel os trata.Investigação de vínculos com o terrorismoCrescem os questionamentos sobre como um cidadão de Omã — país que não reconhece Israel — obteve permissão para atuar como piloto em um voo para Tel Aviv, apesar das rigorosas medidas de segurança aérea israelenses.Uma autoridade israelense disse à CNN na quarta-feira que vários órgãos de Israel — incluindo o Shin Bet, o Mossad, as Forças Armadas e o Ministério dos Transportes — estavam investigando como o piloto omanense passou a integrar a tripulação do voo.Na quinta-feira, o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos abriu uma investigação para apurar se o ataque estava ligado a “atividades terroristas” e se envolveu algum tipo de “planejamento ou direção prévia”, informou a agência de notícias estatal WAM.As autoridades dos Emirados Árabes Unidos têm jurisdição para investigar o incidente porque a aeronave está registrada no país, e a legislação dos Emirados se aplica a crimes cometidos a bordo de suas aeronaves, mesmo quando ocorrem fora do território nacional, afirmou a WAM.Netanyahu disse à CNN, na noite de quarta-feira, que o agressor havia sido interrogado na Arábia Saudita — para onde o avião foi desviado —, com a participação de Israel na investigação.“Conversei com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeique Mohammed bin Zayed, e ele concordou que Israel participasse dos interrogatórios”, disse ele.(Com informações de Jeremy Diamond, Mostafa Salem, Andrew Carey e Billy Stockwell, da CNN)