Lula mostra camisa com frase “as Malvinas são argentinas” durante ato no RJ

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levantou uma camiseta com os dizeres “as Malvinas são argentinas” nesta sexta-feira (2), durante um ato de campanha no centro do Rio de Janeiro.Apesar da relação marcada por atritos entre os presidentes Lula e o argentino Javier Milei, o mandatário brasileiro mantém seu posicionamento a favor da soberania argentina sobre as ilhas desde 2010.Há 16 anos, durante sua participação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Lula defendeu “reabrir” a discussão em torno da jurisdição sobre a região, disputada por Argentina e Grã-Bretanha.“Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual a explicação política de as Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo: não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país (Grã-Bretanha) a 14 mil quilômetros de distância?”, questionou o presidente. Leia mais Análise: Postura dos EUA em relação à eleição não tem evidência palpável PT comemora desistência de Flávio Bolsonaro em último debate Análise: Brasil vota com vale-tudo jurídico e sob olhar dos EUA O mandatário retomou sua defesa em março de 2024, durante a Cúpula da Celac, realizada em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas.Os jornais argentinos, como Clarín, El Día e TN, repercutiram o ato de campanha, enfatizando o movimento de Lula a dois dias das eleições brasileiras.LULA MOSTRÓ UNA REMERA CON LA FRASE “LAS MALVINAS SON ARGENTINAS”Durante una caravana de campaña en Río de Janeiro, el presidente brasileño recibió de un seguidor una remera negra con la inscripción “Las Malvinas son argentinas”. El presidente brasileño la miró, sonrió y la… pic.twitter.com/dpGL687ZgR— Clarín (@clarincom) October 2, 2026O que são as Ilhas Malvinas?As Malvinas são um arquipélago no Oceano Atlântico Sul, situado cerca de 500 km a leste do território continental argentino e a aproximadamente 13.000 km do Reino Unido. Elas consistem em duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e 778 ilhas menores.O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690, realizado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765 e, embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos nas ilhas em diferentes momentos, os britânicos reafirmaram seu controle em 1833 e as administram desde então.As Malvinas, com uma população de cerca de 3.660 habitantes, possuem sua própria assembleia legislativa eleita para gerir assuntos internos. A maioria dos moradores é de origem britânica, embora a população também inclua pessoas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.A economia é baseada principalmente em licenças de pesca, agropecuária e turismo.Por que a Grã-Bretanha e a Argentina entraram em guerra pelas Malvinas?A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas argumentando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que a Grã-Bretanha assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal.O Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.Em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que a Grã-Bretanha não responderia com força militar.No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar argentina.Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.O conflito foi um momento decisivo para Thatcher, que enfrentava dificuldades no governo antes da guerra.A vitória foi celebrada com entusiasmo pela imprensa britânica e reforçou a confiança nas forças armadas, após um período em que seu poderio global havia sido amplamente questionado.O conflito — e a reivindicação contínua do Reino Unido sobre as ilhas — gerou um profundo ressentimento na Argentina, que persiste até hoje.Os Estados Unidos tentaram mediar a situação inicialmente, mas depois apoiaram o Reino Unido com inteligência, logística e acesso a instalações militares.A França, que havia fornecido mísseis à Argentina antes da guerra, impôs posteriormente um embargo de armas a Buenos Aires e prestou apoio de inteligência e logística ao Reino Unido durante o conflito.Quem são os candidatos à Presidência da República em 2026