Os brasileiros vão às urnas neste domingo (4) para o primeiro turno das eleições de 2026, em uma votação que renova a Presidência da República, os governos estaduais e do Distrito Federal, dois terços do Senado e as bancadas da Câmara dos Deputados e das assembleias legislativas. Cerca de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As urnas funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília. Em estados de fuso diferente, o relógio local muda, mas o intervalo nacional permanece unificado pela referência de Brasília.Na urna, a ordem é: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador (primeira vaga), senador (segunda vaga), governador e, por último, presidente da República. Deputados e senadores são definidos já no primeiro turno — 513 cadeiras na Câmara, 1.059 nas assembleias e na Câmara Distrital e 54 no Senado, duas por unidade da Federação. Presidente e governadores só vão a um segundo turno, marcado para 25 de outubro, se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos.A campanha foi marcada por uma polarização já conhecida, agora com outros protagonistas e um cenário institucional mais carregado. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição com Geraldo Alckmin (PSB) de vice, e Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio e herdeiro político do pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso, concentraram a disputa. Nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) tentaram abrir uma terceira via, mas não conseguiram romperam o duelo. Debates diretos entre os dois líderes das pesquisas não aconteceram; Flávio condicionou a presença à de Lula, e vários encontros caíram.O que mais deslocou o eixo da campanha, porém, não foi um programa de governo, mas sim a crise no Supremo Tribunal Federal entrelaçada ao escândalo do Banco Master. A prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o material apreendido pela Polícia Federal — mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, um contrato milionário do banco com o escritório da mulher do ministro e indícios de interlocução sobre o avanço das investigações — abriram uma guerra interna na Corte, com ofícios, liminares e vazamentos. O caso ganhou a imprensa internacional e passou a pautar os dois campos. Flávio tratou de colar Lula a Moraes, com o bordão de que votar no petista seria votar no ministro. O PT respondeu no mesmo registro, lembrando que o senador é investigado no próprio caso Master, por suspeita de lavagem e corrupção ligada ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro: áudios da PF mostram Flávio cobrando de Vorcaro recursos prometidos à produção. Pesquisa Datafolha indicou que 38% dos eleitores viam Lula como o mais prejudicado pela crise e 31% apontavam Flávio; quase metade disse que o episódio pesaria na escolha do voto.Donald Trump entrou no enredo por outra porta. O governo americano chegou a impor sanções a Moraes, depois suspensas, em meio às críticas da direita brasileira aos métodos do ministro nos processos do 8 de Janeiro e da trama golpista. O tema serviu de munição eleitoral, mas não substituiu o Master como centro da conversa. Economia, segurança e a escala 6×1 apareceram nos programas e nos comícios, sem deslocar o noticiário judicial.Nos estados, a eleição replica o mesmo tabuleiro, com variações locais. Em São Paulo, a disputa pelas duas vagas no Senado reúne Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), ex-ministras de Lula de um lado e nomes alinhados a Tarcísio de Freitas do outro. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, dividem palanque na direita, enquanto Leila Barros (PDT) tenta a reeleição. A apuração começa após as 17h. O resultado de presidente e de parte dos governos pode não se encerrar hoje.