Tratado do Alto-Mar inaugura nova era na proteção dos oceanos

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A entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar (Acordo BBNJ), aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU), representa uma das mudanças mais relevantes já realizadas na governança internacional dos oceanos. O acordo estabelece mecanismos para proteger áreas marinhas localizadas fora das jurisdições nacionais, criando uma estrutura global voltada à conservação da biodiversidade e ao uso sustentável dos recursos marinhos. Na prática, o tratado abre caminho para a criação de novas áreas protegidas em águas internacionais, fortalece a fiscalização de atividades com potencial de impacto ambiental,  como a pesca e a exploração de recursos naturais, e prevê ações de capacitação para que países em desenvolvimento ampliem sua participação na proteção dos oceanos.  A implementação dessas medidas ocorre em um contexto de crescente preocupação com os efeitos da crise climática. A ausência histórica de regras e mecanismos de controle em grande parte do alto-mar contribuiu para o avanço da sobrepesca, a degradação de ecossistemas e o comprometimento de serviços ambientais essenciais para o equilíbrio climático global. Para Helena Villela, Cofundadora e Líder de Pesquisa e Impacto da Bravo Impact, o acordo representa um avanço necessário diante dos desafios ambientais atuais. “A implementação do que o Tratado do Alto-Mar propõe é extremamente importante para a biodiversidade e as consequências que já estamos vivendo. A comunicação desse processo de forma honesta e transparente, assim como o engajamento público para cobrar que as medidas sejam realmente implementadas e fiscalizadas, é indispensável para que o tratado tenha sucesso.”Além dos desafios regulatórios, especialistas destacam a necessidade de aproximar a sociedade de temas tradicionalmente restritos aos círculos técnicos. Nesse cenário, iniciativas que traduzem questões ambientais complexas para diferentes públicos tornam-se fundamentais para fortalecer a participação social e a compreensão sobre a importância da conservação marinha. A Bravo Impact atua justamente nesse campo, conectando ciência, comunicação e audiovisual para investigar, estruturar e disseminar histórias de impacto socioambiental. A proposta é ampliar o acesso ao conhecimento técnico e contribuir para o fortalecimento do debate público sobre sustentabilidade. Foto: Marinko Babić – Own work, CC BY-SA 4.0Impactos vão além da conservaçãoO alcance do tratado é significativo, ele passa a abranger aproximadamente 64% dos oceanos do planeta, uma área que corresponde a quase metade da superfície terrestre. Ao mesmo tempo, a chamada economia do oceano segue ganhando relevância e pode superar US$ 3 trilhões até 2030, de acordo com estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesse contexto, o novo marco internacional também cria oportunidades para impulsionar projetos de conservação, formação profissional e geração de empregos, especialmente em países em desenvolvimento, que passam a contar com mais instrumentos para participar da gestão e da proteção dos recursos marinhos. Para Jorge Brivilati, Fundador e Líder de Criatividade da Bravo Impact, o sucesso do acordo dependerá também da capacidade de mobilização da sociedade. “Temas ambientais complexos exigem participação pública informada. Quando a sociedade entende o que está em jogo, aumenta a capacidade de cobrança, de acompanhamento e de apoio às medidas necessárias para proteger os oceanos.” Para Helena, a consolidação de mecanismos globais de proteção ambiental também sinaliza uma mudança cultural mais ampla. “É um grande alívio ver temas ambientais tão importantes ganharem protagonismo.”The post Tratado do Alto-Mar inaugura nova era na proteção dos oceanos appeared first on CicloVivo.