Vinland reabre fundos e aposta em retorno raro no crédito privado

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Depois de um longo período de prêmios comprimidos, o mercado de crédito privado voltou a oferecer oportunidades mais atrativas, na avaliação da Vinland Capital. O sinal mais claro dessa mudança foi a decisão da gestora de reabrir todos os seus fundos de crédito para novas captações.A reabertura reflete uma melhora expressiva nos spreads, que se abriram mais de 120 pontos-base em relação ao pico de outubro do ano passado — o equivalente a 1,2 ponto percentual ao ano embutido nos preços dos papéis. Para Jean-Pierre Cote Gil, sócio e gestor da Vinland Capital, a mudança indica que a relação entre preço e risco voltou a fazer mais sentido no segmento.“Reabrir os fundos é o maior sinal de que a gente está mais confiante na questão de preço e risco”, disse Gil, em entrevista ao Stock Pickers, programa apresentado por Lucas Collazo.Veja mais: Capital estrangeiro volta a mirar o Brasil — e não é só pela BolsaE também: Gringo vê risco que o brasileiro ignora no ciclo de crédito, diz gestor da IP CapitalA postura contrasta com a estratégia adotada pela gestora ao longo de 2024. Em junho do ano passado, a Vinland fechou os fundos de infraestrutura para novas captações. Em dezembro, fez o mesmo com o fundo de previdência. A lógica era proteger os investidores que já estavam na base: com os prêmios exageradamente baixos, permitir novos aportes significaria diluir a carteira dos cotistas mais antigos.Agora, com os spreads em níveis mais atrativos, a gestora voltou a abrir espaço para captação. Nos fundos incentivados — aqueles que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas —, o retorno equivalente bruto chega, em alguns casos, ao patamar de CDI mais 3 a 4 pontos percentuais, uma rentabilidade que, na avaliação do gestor, não se encontra no mercado tributado convencional.A máquina por trás das análisesPara chegar a essas conclusões, a Vinland mantém uma estrutura robusta de monitoramento. Gil comanda uma equipe de dez pessoas que acompanha cerca de mil emissões de aproximadamente 150 grupos econômicos — incluindo algumas centenas de empresas aprovadas internamente, com determinadas subsidiárias também consideradas.A rotina diária inclui atribuir preços de compra e venda a cada um desses papéis.“A gente tenta dar preço para tudo porque preço é informação”, explicou o gestor.“Você coloca lá um preço de compra e um de venda, você vai ser questionado — alguém vai te tomar o papel ou bater numa plataforma. É informação para mim”— Jean-Pierre Cote Gil, sócio e gestor da Vinland Capital.A metodologia de análise por setor se apoia em dois indicadores centrais: o nível de margem operacional e a volatilidade histórica dessas margens ao longo dos ciclos econômicos. Quanto mais estreita e instável for a margem de um setor, mais conservadora precisa ser a estrutura financeira das empresas para que elas entrem no portfólio.Leia tambémFIDCs pagam até 200 pontos-base a mais que debêntures; entenda o motivoGestor da Vinland explica por que FIDCs podem pagar mais que debêntures de risco equivalente — e o que sustenta esse prêmio“Um setor mais arriscado vai me exigir um nível de exigência maior no crédito”, resumiu Gil.O varejo é citado como exemplo de setor que reúne duas características negativas: margem apertada e sujeita a oscilações.Infraestrutura não é mais o que eraNo segmento de infraestrutura — carro-chefe dos fundos com isenção fiscal —, o gestor chama atenção para uma mudança de perfil que passou despercebida por muitos investidores.Mudanças nas regras do setor ampliaram o universo de empresas aptas a emitir esses papéis, incorporando áreas como telecomunicações, petróleo e gás e agronegócio.Essas atividades têm um perfil de risco diferente das concessões de energia elétrica e saneamento que dominavam o segmento há dez anos.“O perfil de risco que você pode, em teoria, ter no mundo de infra hoje não é o mesmo de dez anos atrás”, advertiu Gil.Um setor que concentra atenção especial da equipe é o de fibra óptica. Depois de anos de expansão acelerada, a infraestrutura chegou a um ponto de saturação em diversas cidades, com múltiplas operadoras disputando os mesmos endereços.BC sem saída? Gestores veem corte menor de juros após choque globalFIDCs ganham força e prometem mudar o mercado de crédito no Brasil“Tem cidade que tem dois rolos de fibra passando na mesma casa”, ilustrou o gestor.A disputa agora migrou para a retenção dos clientes de maior valor, o que pressiona as margens das empresas do setor.O timing da reaberturaA decisão de fechar os fundos no ano passado, na avaliação de Gil, protegeu investidores de entrarem em um momento desfavorável.“Eu, pelo menos, evitei que alguns clientes entrassem nos fundos no momento que eu achava que os próximos 12 meses não seriam tão legais”, disse.Agora, com os spreads em patamar mais atrativo, a Vinland entende que o risco e o retorno voltaram a fazer sentido. A reabertura dos fundos, nesse contexto, funciona como a forma mais direta de comunicar essa convicção ao mercado.The post Vinland reabre fundos e aposta em retorno raro no crédito privado appeared first on InfoMoney.