A busca por salário alto, estabilidade e perspectiva de crescimento continua sendo o norte do trabalhador brasileiro ao projetar sua carreira para os próximos cinco anos.De acordo com a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgada nesta sexta-feira (5) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e realizada pela Nexus, esses fatores tradicionais superaram tendências modernas, como o trabalho remoto e a jornada reduzida.O levantamento revela que 28,7% dos entrevistados consideram o salário como o principal diferencial da ocupação desejada, seguidos pela estabilidade no emprego, citada por 22,4%, e pela perspectiva de crescimento na carreira, mencionada por 20,1%.Em contrapartida, a prioridade ao trabalho remoto foi citada por 15,9% dos entrevistados, e a jornada reduzida por apenas 9,8%. Leia mais Pessoas são mais produtivas trabalhando menos, diz Nobel de Economia Fecomércio-MG propõe modelo de trabalho por hora,, mas com direitos da CLT Fitch eleva previsão de PIB do Brasil para 2,1% em 2026 Para Cláudia Perdigão, especialista da CNI, essa preferência reflete a valorização da estrutura do emprego formal.“Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, avalia.O estudo reforça que o emprego com carteira assinada — CLT — é o mais atrativo para 36,3% dos que buscam trabalho, chegando a 41,4% entre jovens de 25 a 34 anos.Apesar da alta satisfação com o emprego atual — que atinge 95% dos entrevistados —, o futuro é visto com cautela.Cerca de 42,7% dos brasileiros não sabem dizer em qual ocupação estarão em cinco anos. Essa insegurança é maior entre trabalhadores mais velhos e está ligada ao ritmo acelerado das inovações tecnológicas.A pesquisa aponta ainda um gargalo na qualificação, pois verifica que menos de 50% da população domina habilidades digitais complexas, como o uso de IA ou planilhas avançadas.Esse cenário gera um cenário onde o trabalhador está satisfeito hoje, mas teme não conseguir acompanhar as exigências de amanhã.Para aqueles que conseguem visualizar um objetivo profissional, os principais entraves são externos e práticos:Falta de vagas com boas condições: 22%Falta de experiência prática: 17,6%Ausência de cursos de formação na região: 16,9%Necessidade de cuidar de familiares: 16,1%Além disso, o desejo de ser o próprio patrão é real para 13,9% dos brasileiros, com foco em negócios tradicionais como comércio varejista, salões de beleza e restaurantes.A pesquisa foi realizada pela Nexu, e ouviu 2.008 pessoas com mais de 16 anos em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, entre 10 e 15 de outubro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais.Setor privado está mobilizado contra tarifaço, diz ex-diretor-geral da OMC | FECHAMENTO DE MERCADO