Grama sintética pode esconder centenas de substâncias químicas, dizem estudos

Wait 5 sec.

Cada vez mais comum em campos esportivos, escolas e áreas de lazer, a grama sintética ganhou espaço pela praticidade. Mas, à medida que seu uso avançou, também cresceram as dúvidas sobre possíveis impactos à saúde e ao meio ambiente.Segundo o LiveScience, grande parte da discussão está concentrada no enchimento feito com pneus triturados, presente na maioria dos gramados modernos e alvo de estudos sobre substâncias químicas e microplásticos.Mais de 95% dos campos sintéticos dos EUA usam enchimento feito de pneus reciclados. O tema segue em investigação. – Imagem: Rattankun Thongbun/iStockO que preocupa os cientistas?A versão mais moderna da grama sintética, conhecida como 3G, utiliza enchimento produzido a partir de pneus reciclados. O material ajuda a melhorar a absorção de impacto e a tração, mas também concentra centenas de substâncias presentes na composição dos pneus.Segundo Rachel Massey, pesquisadora de saúde ambiental da Universidade de Massachusetts Lowell, esses grânulos “criaram uma situação de exposição que nunca havia existido antes”.Mais de 95% dos cerca de 18 mil a 19 mil campos de grama sintética dos Estados Unidos utilizam esse tipo de enchimento. O debate não está na existência dessas substâncias, mas na quantidade à qual atletas, árbitros e frequentadores podem estar expostos.Entre os componentes que mais despertam atenção estão:Chumbo, cádmio, manganês e zincoBenzeno, associado a diferentes tipos de leucemiaTolueno, considerado tóxico para o sistema nervoso, o fígado e os rinsNegro de fumo, utilizado no reforço dos pneusHidrocarbonetos aromáticos policíclicos, relacionados ao câncer em estudos com animais“Nenhum desses estudos [de avaliação de risco] contesta o fato” de que essas substâncias químicas estão presentes, afirmou Massey.E é justamente aí que surge a controvérsia: quanto desse material realmente entra em contato com o organismo ao longo dos anos?Grama sintética oferece praticidade, mas também levanta questionamentos sobre saúde e meio ambiente. – Imagem: PongsakornJun/iStockMicroplásticos também entraram no radarAlém das substâncias encontradas nos pneus triturados, os microplásticos passaram a ocupar espaço importante nas pesquisas mais recentes.Em relatório citado no estudo, a União Europeia classificou o enchimento de gramados sintéticos como a maior fonte de microplásticos adicionados intencionalmente ao meio ambiente. Por causa dessa preocupação, o bloco anunciou, em 2023, a proibição da venda de produtos que contenham essas partículas a partir de 2031.Essas partículas podem chegar ao organismo de diferentes formas, seja pela respiração, pelo contato com a pele ou até pela ingestão acidental. Estudos iniciais apontam possíveis relações com problemas cardiovasculares, asma e doenças inflamatórias intestinais. Ainda assim, os próprios especialistas destacam que há muitas incertezas sobre os efeitos dessa exposição.Um caso que chamou atenção ocorreu na Noruega, onde jogadoras de futebol foram expostas a microplásticos em um campo sintético. A equipe responsável pela investigação identificou o gramado como fonte de uma substância derivada do composto 6PPD, utilizado na fabricação de pneus.Estudo não encontrou riscos imediatosPara avaliar os possíveis impactos da exposição, o Escritório de Avaliação de Riscos à Saúde Ambiental da Califórnia realizou uma análise envolvendo jogadores, árbitros e espectadores.Leia mais:Cientistas criam dispositivo que produz água potável e evita um dos maiores problemas da dessalinização9,46 bilhões de litros: o consumo de água da Amazon que virou polêmicaCetesb usa IA e satélites para monitorar índices de poluição nos rios Tietê e PinheirosOs pesquisadores observaram o comportamento das pessoas em campo e utilizaram fluidos corporais sintéticos para medir a presença de compostos potencialmente nocivos liberados pelo enchimento dos gramados.Segundo Jocelyn Claude, toxicologista envolvida na pesquisa, o estudo não encontrou “riscos agudos”, ou seja, problemas imediatos decorrentes de exposições curtas. A análise também concluiu que os riscos estimados para efeitos de longo prazo, como câncer ou danos reprodutivos, “foram insignificantes”.O assunto, porém, está longe de ser consenso.Parte da comunidade científica considera que futuras avaliações deveriam analisar diretamente pessoas expostas ao material, em vez de depender apenas de simulações realizadas em laboratório.Enquanto isso, a discussão segue aberta. Cientistas e empresas já estudam alternativas, como a grama híbrida e o desenvolvimento de variedades naturais mais resistentes. O desafio é encontrar opções que ofereçam a mesma praticidade dos gramados sintéticos sem ampliar as dúvidas levantadas pelos estudos atuais.O post Grama sintética pode esconder centenas de substâncias químicas, dizem estudos apareceu primeiro em Olhar Digital.