Enquanto o Azteca vivia a Copa, uma família buscava seu filho desaparecido

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Com pouco mais de três horas para o início do jogo de abertura da Copa do Mundo, nesta quinta (11), entre México e África do Sul, uma multidão verde já tomava conta dos arredores do Estádio Azteca.Porém, em meio ao ambiente de festa e aos gritos dos voluntários da Fifa para que os torcedores cantassem “México! México!” bem alto, uma família exibia um cartaz com o rosto de quatro homens.Oscar, Gregorio, Javier e Omar apareciam como figurinhas da Copa, trajados com a camisa da seleção mexicana. Abaixo de suas identidades, a frase: “Onde estão nossos desaparecidos? Onde estão?”Esta é a pergunta que a família García faz há mais de quatro meses.“Estamos aqui [no Azteca] para continuar dando visibilidade aos rostos e aos nomes de quatro familiares nossos que estão desaparecidos. O meu irmão, Óscar García Hernández, e seus três cunhados: Javier, Gregorio e Omar, que desapareceram em 3 de fevereiro num contexto de férias familiares”, disse Adriana García, cirurgiã dentista, à CNN Brasil. Leia Mais Copa 2026: como ficou o Grupo A após os jogos da primeira rodada Técnico do México exalta vitória na estreia, mas alerta: "Devemos melhorar" Raúl Jiménez brilha em primeira Copa do Mundo após perder o pai Nas últimas semanas, uma série de protestos tomou conta da Cidade do México às vésperas do Mundial, incluindo manifestações de professores e das “Madres Buscadoras”, coletivo que busca recuperar o paradeiro de mexicanos e mexicanas desaparecidos.Adriana, irmã de Omar García, diz que a manifestação da família em frente ao Azteca na quinta-feira não fazia parte de nenhum movimento organizado maior.“Mas é preciso respeitar as manifestações das ‘Madres’. A desaparição de um familiar é algo indescritível. Por isso decidimos gritar para todo o mundo, por isso estamos aqui.”Acompanhada de Adriana estava sua mãe, Julia Hernández de Jesus, que segurava um dos cartazes com o rosto do filho Omar.Familiares com cartazes de desaparecidos na porta do Estádio Azteca no dia da abertura da Copa do Mundo • Bruno Rodrigues/CNNCom a voz embargada, Julia fazia seu apelo enquanto mexicanos e mexicanas se dirigiam para os portões do Estádio Azteca, onde aconteceria horas depois o pontapé inicial para a maior festa do futebol, que é a Copa do Mundo.“Estamos alcançando a nossa voz para que meu filho e seus cunhados sejam localizados. Agora que há muita gente chegando [à Cidade do México], queremos que seus rostos sejam vistos. Não queremos que eles caiam no esquecimento”, completou Julia Hernández de Jesús, à procura de respostas e de seu filho.Veja o ranking dos elencos mais valiosos da Copa do Mundo