A possível aprovação do fim da escala 6×1 no Brasil traz consigo impactos econômicos relevantes que vão além do debate sobre qualidade de vida dos trabalhadores. Em entrevista ao CNN Prime Time, Gustavo Madi, da consultoria LCA, avaliou que, embora a medida atenda a um anseio da sociedade por maior equilíbrio entre trabalho e lazer, ela carrega custos significativos para o setor produtivo.Para Madi, a sociedade precisa estar ciente de que a redução da jornada de trabalho encarece os processos produtivos.“Essa medida atende a um pedido da sociedade de reequilibrar o tempo de vida entre as horas de trabalho e o lazer ou as demais atividades não remuneradas, mas ela tem um custo”, afirmou. Leia Mais Congresso pretende alterar três pontos na PEC da escala 6 x 1; veja quais 6x1: Veja quais profissões podem ficar de fora se redução for aprovada Análise: Empresariado lamenta falta de ponderação sobre fim da escala 6x1 Produtividade por hora versus produção totalMadi explicou a diferença entre produtividade por hora e capacidade produtiva total.Segundo ele, o trabalhador mais descansado tende a render mais, cometer menos erros e apresentar menor rotatividade, o que eleva a produtividade por hora trabalhada.No entanto, esse ganho não é suficiente para compensar a redução no total de horas trabalhadas ao longo de um mês.“Esse aumento da produtividade por hora não é suficiente para compensar a produção total no intervalo maior de tempo. Ao longo de um mês, por exemplo, o total trabalhado por esse funcionário vai se reduzir, isso significa um menor nível de produção”, disse Madi.Para ele, a medida tem, portanto, “um custo em termos de redução da capacidade produtiva da população como um todo”.Possível aumento de trabalhadores autônomos e novas contratações CLTQuestionado sobre a possibilidade de crescimento no número de profissionais autônomos após a mudança na escala, Madi reconheceu que isso pode ocorrer para parte dos trabalhadores, que podem optar por continuar trabalhando o mesmo número de horas para obter maior renda.Contudo, ele avaliou que o efeito predominante deve ser outro.“O efeito predominante vai ser você ter uma certa compensação com o aumento de empregos CLT para compensar a redução de horas trabalhadas por cada funcionário”, explicou.Ao ser indagado sobre quem arcará com os custos da medida, Madi afirmou que a resposta depende das dinâmicas de cada setor.Segundo ele, a conta deve ser dividida entre uma redução da lucratividade das empresas e um aumento de preços ao consumidor.“Ao longo do tempo, esse aumento de preços significa a inflação. A inflação corrói o poder de compra dos trabalhadores”, alertou.Madi ponderou que, num primeiro momento, a expectativa de reduzir a jornada sem diminuir salários ou rentabilidade pode se concretizar, mas que esse benefício tende a ser reduzido pelo efeito inflacionário ao longo do tempo.Além disso, ele destacou impactos sobre as finanças públicas: empresas menos lucrativas recolhem menos imposto de renda, mas o aumento de contratações pode elevar a arrecadação sobre a folha salarial, criando um efeito parcialmente compensatório. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.