Os spreads de crédito dos CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) voltaram aos maiores níveis históricos em 2026, devido ao aumento da percepção de risco no setor agropecuário e a cautela maior dos investidores diante do cenário macroeconômico atual. Na prática, o spread representa o retorno adicional que o investidor recebe para aplicar em títulos privados em vez de investir em papéis do governo, considerados mais seguros. Quanto maior o spread, maior é o prêmio exigido pelo mercado para compensar o risco da operação.Segundo Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, os spreads dos CRAs chegaram a operar próximos de 0,8% em julho de 2025, mas avançaram para cerca de 1,68% em maio de 2026.“O que vimos recentemente foi um ajuste muito forte dos spreads, que estavam nas mínimas históricas mesmo em um cenário de risco elevado. Agora o mercado voltou a precificar os CRAs de forma mais alinhada ao risco atual”, afirma. Análise: o agro virou grande demais para caber no crédito rural Raízen: detentores de debêntures e CRAs farão assembleia sobre plano Fiagros crescem 9.500% em patrimônio em um ano, mostra Anbima O movimento lembra o cenário observado em 2023, quando eventos de crédito elevaram a percepção de risco no mercado privado após casos como Lojas Americanas e Light.Desta vez, a pressão veio principalmente do setor agropecuário, especialmente após a recuperação extrajudicial da Raízen, que afetou títulos ligados ao segmento, avalia Marilia.Além dos eventos de crédito, o ambiente de juros elevados também contribui para aumentar a preocupação dos investidores. “O setor enfrenta várias instabilidades, desde fertilizantes e custos de insumos até commodities agrícolas que ficaram muito tempo com preços baixos. Além do risco climático ligado ao El Niño, que pode prejudicar ainda mais o agro”, destaca.Por isso, a apresentadora avalia que o momento ainda exige cautela. “Não vejo ainda como uma mega oportunidade. Vejo mais como um mercado que passou a precificar de forma mais justa os níveis de risco atuais”, observa.Resenha do DinheiroRealizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.