O pesquisador de rádio Ciro Götz, já citado no “Memória da Pan”, nos brinda com um dos áudios mais raros já descobertos da Copa de 1958. A gravação traz a transmissão na íntegra da Guaíba (RS) da estreia da seleção brasileira no mundial disputado na Suécia. O jogo, narrado por Mendes Ribeiro, conta com comentários de Otávio Muniz que, curiosamente, era da Panamericana (Jovem Pan). Entretanto, ele entrava no ar na emissora gaúcha nos intervalos, pois, durante as partidas, fazia reportagens pela Pan. BRASIL 3 × 0 ÁUSTRIA – Uddevalla – 08.06.1958Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo.Técnico: Vicente Feola.Áustria: Szanwald; Hanappi, Happel e Swoboda; Halla e Koller; Horak, Senekowitsch, Buzek, Körner e Schleger.Técnico: Karl Argauer.Árbitro: Maurice Guigue (França).Gols: Mazzola (38) no primeiro tempo; Nilton Santos (5) e Mazzola (44) na etapa final.Público: 22.000.A estreia brasileira na Copa de 1958 foi no acanhado estádio Rimnersvallen, em Uddevalla. Pelé e Garrincha ainda não eram titulares, mas o placar da estreia foi garantido por Mazzola, duas vezes, e Nilton Santos. O gol marcado pelo lateral esquerdo é um dos lances mais pitorescos daquele jogo, retratado pelo jornalista Teixeira Heizer: “Cinco minutos do segundo tempo, Nilton Santos recebe de Bellini em sua zona de defesa e corre para o campo adversário: ‘Volta Nilton’ – grita Feola. O lateral continua correndo e ultrapassando seus adversários. Já está quase na intermediária austríaca. ‘Volta, Nilton’, insiste Feola. Nilton Santos finge não ouvir. Agora ele já está na entrada da área austríaca. ‘Volta, Nilton’ – esbraveja quase apoplético, o gordo treinador. Da entrada da área, Nilton chuta com maestria e vence o goleiro Szanwald. O público delira com o gol. “Boa, Nilton” – resigna-se o desconcertado selecionador do Brasil”. A jogada do segundo gol brasileiro, com Nilton Santos invadindo a pequena área e vencendo o goleiro adversário, demonstra as várias potencialidades da seleção de 1958. Enquanto à época os laterais atuavam como meros marcadores, presos a um esquema tático, Nilton Santos, apelidado de “enciclopédia do futebol”, estava longe de ser um simples marcador. Zagallo, ponta esquerda, dava cobertura às investidas de Nilton Santos. Ouça a transmissão da Rádio Gaúcha: uma preciosidade resgatada por Ciro Götz.