CMU entra no setor de mobilidade elétrica e prevê 100 eletropostos até 2027

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O Grupo CMU Energia decidiu ampliar sua atuação no setor elétrico e ingressar no mercado de mobilidade elétrica por meio da criação da Watton, empresa que nasce com planos de instalar infraestrutura de recarga para veículos elétricos em Minas Gerais.A companhia projeta investimentos iniciais entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões nos primeiros 18 meses de operação, valor que poderá alcançar R$ 70 milhões no longo prazo, à medida que o mercado evoluir.A estratégia da operação será sustentada pela própria CMU Energia, que atuará no fornecimento de energia por meio de geração distribuída e do mercado livre de energia. A aposta ocorre em um momento de crescimento da frota de veículos elétricos no país e de expansão da demanda por infraestrutura de recarga, especialmente fora dos grandes centros urbanos.Segundo o CEO da CMU Energia, Walter Froes, a Watton adotará um modelo de negócios voltado ao segmento corporativo (B2B), no qual a empresa realiza integralmente os investimentos em engenharia, infraestrutura e equipamentos para instalação dos carregadores em locais de parceiros, como postos de combustíveis, supermercados e centros comerciais. Em contrapartida, os proprietários dos imóveis recebem uma participação sobre o faturamento gerado pelas recargas. Leia Mais Setor de energia renovável cobra presidenciáveis por metas de transição StoneX vê eletrificação dobrar desvio da demanda por combustíveis até 2030 XP: Guerra no Irã leva a cenário de mais fósseis e renováveis no mundo A operação terá início em Minas Gerais, com foco na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na rota para Ouro Preto. A primeira unidade entrou em funcionamento no início de junho.A companhia pretende concentrar esforços inicialmente em corredores rodoviários, considerados estratégicos para ampliar a confiança dos motoristas na utilização de veículos elétricos em viagens de maior distância.“Eletroposto em estradas é uma necessidade clara. Já estamos colocando nas principais artérias. O plano é que até o final de 2027 sejam instalados cerca de 100 eletropostos com investimentos da ordem de R$ 10 milhões”, afirmou Fróes em entrevista à CNN.De acordo com o executivo, Minas Gerais apresenta crescimento da participação dos veículos elétricos, mas a dimensão territorial do estado e a limitada oferta de pontos de recarga ainda representam obstáculos para deslocamentos de longa distância. A empresa já identificou potenciais locais para instalação de equipamentos, principalmente em postos de combustíveis.“Temos cerca de 50 pontos mapeados. São postos de gasolina e estamos trabalhando em mostrar aos donos as vantagens, já que os clientes vão usar as facilities do estabelecimento, como banheiros, restaurantes e lojas de conveniência, além de uma remuneração”, disse.Segundo ele, a remuneração oferecida aos parceiros gira em torno de 10% do faturamento obtido com as recargas. “As margens de ganhos na venda de combustíveis são muito pequenas. Podemos até oferecer uma margem melhor”, acrescentou.Um dos principais desafios para a expansão da rede, segundo Froes, está na capacidade elétrica disponível nos locais escolhidos. Como os postos de combustíveis normalmente possuem baixa demanda de energia, a instalação de carregadores rápidos exige reforços significativos na infraestrutura elétrica. A responsabilidade por garantir a robustez necessária da rede é das distribuidoras locais de energia.A estratégia da Watton prevê duas frentes de atuação. A primeira envolve carregadores lentos, direcionados a hotéis e condomínios, onde os veículos permanecem estacionados por períodos mais longos. A segunda contempla carregadores rápidos, destinados a hubs urbanos utilizados por motoristas de aplicativo, shopping centers, supermercados e pontos de parada em rodovias.Além do mercado de veículos de passeio, a empresa pretende atuar na eletrificação de frotas corporativas, com foco especial em operações logísticas e de entregas de última milha, segmento que vem registrando aumento da demanda por soluções de mobilidade de baixo carbono.