O Brasil registra entre 80 e 90 mil novos casos de tuberculose por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. No programa CNN Sinais Vitais do último sábado (6), a infectologista Nancy Bellei e o pneumologista Clystenes Odyr Soares Silva, ambos professores da Unifesp, conversaram com o Dr. Roberto Kalil sobre por que este cenário é preocupante.Nancy destacou que a pandemia prejudicou gravemente o cuidado com outras doenças. “A gente teve um descuido durante os primeiros anos da pandemia. Ela atrapalhou muito a gente poder cuidar de outras doenças na população”, destacou a infectologista.A especialista também lembrou que a doença está diretamente associada a condições socioeconômicas. “A tuberculose anda junto com desnutrição, alcoolismo, dificuldade social, usuários de drogas ilícitas, pacientes que convivem com o vírus HIV e não se cuidam, não se tratam”, explicou Nancy. Leia Mais Bactéria resistente ultrapassa hospitais e acende alerta para saúde pública Dia Mundial da Tuberculose: saiba como é feito o diagnóstico da doença OMS alerta para aumento dos níveis de resistência a antibióticos Abandono do tratamento e resistência bacterianaClystenes reforçou os dados alarmantes, acrescentando que o ano de 2025 teve seis mil mortes por tuberculose no Brasil. Ele ressaltou que, apesar de a resposta ao tratamento ser bastante positiva, com redução da transmissibilidade já após duas ou três semanas de medicação, o abandono do tratamento representa um grave problema.“O paciente, após um ou dois meses de tratamento, se sente muito bem e abandona. Durante o tratamento, recomenda-se que não se tome álcool, que evite fumar, que ele se alimente direito. E ele se sente tão bem que quebra [o tratamento]“, explicou.Esse comportamento, segundo Clystenes, gera uma consequência ainda mais preocupante. “Os bacilos resistentes ao tratamento, isso é uma coisa desafiadora”, alertou. O tratamento completo dura no mínimo seis meses, a depender do quadro clínico do paciente.Apesar do cenário desafiador, os especialistas ressaltaram que o Brasil conta com um robusto programa nacional de controle da tuberculose.“O SUS disponibiliza totalmente o tratamento, esse tratamento é supervisionado e, consequentemente, com isso nós quebramos a cadeia da transmissão”, afirmou Clystenes.Nancy acrescentou que agentes de saúde visitam as residências dos pacientes para entregar medicação e acompanhar o tratamento, mas que muito desse trabalho foi perdido durante a pandemia.Os dois especialistas reforçaram a importância da conscientização da população. Nancy alertou que pessoas com tosse persistente por mais de três semanas, que não melhoram mesmo após o uso de antibióticos, devem procurar imediatamente um serviço de saúde, pois esse pode ser um sinal da doença. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.