Cientistas estão correndo contra o tempo para evitar o desaparecimento de uma das árvores mais raras do mundo. A Dendroseris neriifolia hoje sobrevive em apenas um único exemplar na natureza, isolado em uma falésia remota no Chile.As sementes da planta foram coletadas e enviadas para um banco de conservação no Reino Unido, em uma tentativa de preservar o que resta da espécie antes que ela desapareça definitivamente.A árvore cresce isolada em uma falésia vulcânica e depende de cordas para se manter estável em um ambiente extremo e remoto. Imagem: Gonzalo Rojas – Imagem: Gonzalo RojasUma espécie à beira do limiteA árvore cresce na Ilha Robinson Crusoe, no arquipélago Juan Fernández, uma região vulcânica isolada no Pacífico. Ali, ela se mantém presa a uma encosta íngreme, sustentada artificialmente por cordas para não cair.Foi desse único indivíduo que pesquisadores conseguiram retirar centenas de sementes, agora armazenadas no Millennium Seed Bank, no Kew Wakehurst.O gênero Dendroseris reúne 11 espécies, todas em declínio. Até recentemente, nenhuma delas havia sido preservada em bancos de sementes, o que torna o caso ainda mais delicado do ponto de vista da conservação.Um desaparecimento anunciado ao longo de geraçõesA espécie foi descrita no século XIX pelo botânico Carlo Bertero, que registrou exemplares ainda relativamente comuns na Ilha Robinson Crusoe. Na época, não havia sinais claros de que o cenário mudaria tão rapidamente.Com o passar do tempo, porém, o isolamento deixou de protegê-la. A combinação de perda de habitat, erosão, espécies invasoras, animais de pastagem, incêndios e desmatamento histórico reduziu a população a níveis críticos.Em 1980, ainda havia sete árvores conhecidas. Hoje, apenas uma permanece viva, monitorada por equipes da CONAF, no Chile.Pesquisadores estudam o uso de drones para alcançar galhos da árvore na falésia e reduzir os riscos da escalada em terreno vulcânico. Imagem: Bumble Dee/Shutterstock – Imagem: Bumble Dee/ShutterstockUma coleta que exige esforço extremoChegar até a árvore já é um desafio por si só. São horas de deslocamento por terreno vulcânico até uma área sem estradas, seguidas de uma escalada em encostas instáveis.“É uma ilha vulcânica rochosa sem estrada acessível por carro”, relatou uma das pesquisadoras envolvidas no trabalho.A coleta ocorre em março, quando as sementes atingem maturação. Guardas florestais sobem até a copa e utilizam redes para recolher o material. Pela primeira vez, essas sementes foram enviadas para armazenamento formal em um banco de conservação.Acesso ao local exige viagem e escalada em área vulcânica remota;Coleta acontece no período em que as sementes amadurecem naturalmente;Técnicas incluem uso de cordas e redes para captura das sementes;Parte das sementes já apresentou viabilidade em testes laboratoriais.Entre a esperança e a incertezaNo Reino Unido, testes iniciais indicam que parte das sementes é viável. Das 29 enviadas, 25 apresentaram potencial de germinação após análises por raio-X. Algumas já começaram a se desenvolver em ambiente controlado.Leia mais:Dia Mundial do Meio Ambiente: a complexa rede de acordos e tratados internacionaisA cidade no Ártico que guarda sementes para salvar a humanidade de uma crise globalGoogle promete devolver mais água do que consome com seus data centers de IAAinda assim, o cenário não é simples. Cientistas alertam para problemas como baixa diversidade genética e possível endogamia, já que a espécie sobrevive hoje de forma isolada e extremamente limitada.O armazenamento em banco de sementes, nesse contexto, funciona como uma espécie de última linha de defesa, uma forma de evitar a perda total do material genético.O que vem depois da sobrevivênciaO próximo passo é tentar levar as mudas até a fase adulta e fazer com que produzam novas sementes. Isso ampliaria as chances de restauração da espécie no futuro.Ao mesmo tempo, pesquisadores estudam como essas sementes se comportam em diferentes condições, buscando entender o que será necessário para uma possível reintrodução no habitat original.Se der certo, o projeto pode representar algo raro na biologia da conservação: não apenas preservar uma espécie no limite, mas trazê-la de volta à natureza.O post A missão de salvar a árvore mais rara do planeta apareceu primeiro em Olhar Digital.