A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, que entra em vigor nesta sexta-feira (5), cria uma nova camada de risco para bancos, fintechs e instituições financeiras que operam com o sistema internacional de pagamentos.Embora a medida tenha como alvo direto as facções criminosas, seus efeitos podem alcançar empresas que, mesmo sem conhecimento prévio, mantenham relações comerciais, processem transações ou movimentem recursos posteriormente identificados como vinculados aos grupos, de forma direta ou indireta.A preocupação ganhou relevância após o Departamento de Estado americano anunciar que PCC e CV passarão a integrar a lista de organizações terroristas estrangeiras e também a categoria de “terroristas globais especialmente designados”, ampliando o alcance das ferramentas de fiscalização financeira dos Estados Unidos.Na prática, especialistas avaliam que o impacto mais imediato recai sobre o sistema bancário, especialmente instituições que mantêm operações em dólar ou relacionamento com bancos correspondentes americanos.Leia tambémProdutos brasileiros podem estar sujeitos a tarifas de até 37,5% dos EUA, diz AmchamAlém do conjunto de tarifas propostas na investigação da Seção 301 específica para o Brasil, informado em 1º de junho, o cálculo também considera um relatório divulgado pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a investigação da Seção 301 referente ao trabalho forçadoPressão pode vir pelo sistema financeiroA classificação permite que autoridades americanas bloqueiem ativos, interrompam operações financeiras e imponham restrições a pessoas físicas e jurídicas associadas aos grupos enquadrados. Mas, o alcance dessas medidas não se limita ao território americano.Como grande parte das transações internacionais passa pelo sistema financeiro dos Estados Unidos, instituições estrangeiras costumam adotar mecanismos de conformidade alinhados às exigências de Washington para evitar sanções secundárias ou restrições operacionais.Por isso, bancos e fintechs tendem a reforçar processos internos de monitoramento, identificação de clientes e rastreamento de operações consideradas suspeitas.O receio não é apenas regulatório. Existe também o risco comercial. Instituições financeiras que sejam vistas como vulneráveis a operações de lavagem de dinheiro ou financiamento de organizações enquadradas como terroristas podem enfrentar dificuldades para manter parcerias internacionais, linhas de financiamento e acesso ao mercado americano.Além das sanções tradicionais, autoridades americanas podem utilizar legislações como a RICO Act, voltada ao combate de organizações criminosas, e mecanismos específicos de combate ao financiamento do terrorismo.O resultado é um ambiente de fiscalização mais rigoroso para operações que possam ter qualquer conexão com os grupos.O sistema financeiro brasileiro possui regras rígidas de prevenção à lavagem de dinheiro supervisionadas pelo Banco Central e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).Ainda assim, a decisão americana tende a elevar o grau de atenção das instituições.The post Classificação do PCC e CV como terroristas elevam risco para bancos e fintechs appeared first on InfoMoney.