Uso de antimicrobianos em animais deve subir 30% até 2040

Wait 5 sec.

 O uso de antimicrobianos em animais de criação deve crescer quase 30% até 2040 em relação aos níveis registrados em 2019. É o que mostra um estudo, apresentado na semana passada durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária da FAO, em Roma. O avanço será impulsionado principalmente pela expansão da demanda global por proteínas de origem animal e pela intensificação dos sistemas produtivos. Segundo a FAO, embora os antimicrobianos utilizados como promotores de crescimento ofereçam ganhos de produtividade no curto prazo, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços veterinários e medidas de biossegurança, os impactos econômicos da resistência antimicrobiana tendem a superar amplamente esses benefícios ao longo do tempo. O relatório aponta que, em um cenário de alta resistência aos antimicrobianos, as perdas acumuladas para a pecuária mundial podem chegar a US$ 318 bilhões até 2040. Em comparação, um cenário de eliminação gradual dos promotores de crescimento antimicrobianos geraria perdas estimadas em cerca de US$ 53 bilhões, valor significativamente inferior.  Leia Mais Ministério da Agricultura libera novas doses contra clostridioses Pecuária recebeu 27 milhões de vacinas contra clostridioses em maio Brasil projeta queda de até 92,6% em emissões da pecuária até 2050 Na avaliação de Thanawat Tiensin, diretor-geral adjunto da FAO e chefe da Divisão de Produção e Saúde Animal da organização, os custos da redução do uso desnecessário de antimicrobianos são frequentemente imediatos e concentrados, enquanto os benefícios da preservação da eficácia antimicrobiana são de longo prazo e amplamente compartilhados. Para a entidade, a eficácia dos antimicrobianos deve ser tratada como um bem público global. Por isso são necessárias políticas capazes de alinhar interesses econômicos dos produtores com os benefícios coletivos da preservação desses medicamentos, considerados fundamentais tanto para a saúde animal quanto para a saúde humana. Investimento para evitar perdas maiores A FAO calcula que serão necessários pelo menos US$ 28,4 bilhões em investimentos de transição para reduzir a dependência dos antimicrobianos na produção pecuária. Os recursos seriam destinados principalmente à ampliação da biossegurança nas propriedades, vacinação dos rebanhos, fortalecimento dos serviços veterinários, melhoria dos sistemas de diagnóstico e adoção de alternativas não antibióticas. O relatório destaca que restringir o uso dos chamados promotores de crescimento antimicrobianos pode provocar impactos iniciais na produtividade. No entanto, esses efeitos tendem a ser parcialmente compensados ao longo do tempo com a adoção de novas tecnologias e melhores práticas de manejo. Já os efeitos da resistência antimicrobiana seguem uma dinâmica oposta: inicialmente pouco perceptíveis, mas crescentes ao longo dos anos, elevando custos de produção, reduzindo a eficiência dos tratamentos e comprometendo a produtividade dos sistemas pecuários. Ásia lidera consumo; América do Sul aparece em segundo lugar A projeção da FAO indica que a região da Ásia e do Pacífico continuará sendo a maior consumidora de antimicrobianos destinados à produção animal até 2040, concentrando cerca de 65% do consumo global. A América do Sul aparece na segunda posição, respondendo por aproximadamente 19% do uso mundial. Já a África, embora represente uma parcela menor do mercado, deverá registrar uma das taxas de crescimento mais aceleradas no consumo desses produtos. O estudo também projeta que a produção pecuária mundial aumentará cerca de 23% até 2040, impulsionada principalmente pelos setores de aves e leite, o que reforça a necessidade de equilibrar ganhos produtivos com medidas capazes de conter o avanço da resistência antimicrobiana. Para a FAO, o desafio não poderá ser resolvido apenas com regulamentação. A organização defende a combinação de incentivos econômicos, financiamento sustentável, apoio técnico aos produtores e mecanismos de mercado que estimulem o uso responsável dos antimicrobianos, reduzindo os riscos para a produção animal e para a segurança alimentar global.