As lideranças dos partidos no Senado esperam uma definição do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para o andamento da PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1 na Casa Alta. A proposta ainda precisa ser enviada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para continuar a tramitar no Legislativo.Na semana passada, Alcolumbre havia sinalizado que faria uma reunião de líderes nesta terça (9) para estabelecer um cronograma, além de definir a relatoria do texto. Até a noite dessa segunda-feira (8), no entanto, as lideranças ainda não haviam sido informadas sobre a realização do encontro. A expectativa é de que essa conversa seja realizada até o final desta semana.Tradicionalmente, as reuniões de líderes no Senado aconteciam às quintas. No entanto, a urgência da pauta para os senadores que devem disputar a reeleição pressiona por uma antecipação no cronograma. Leia mais Senador propõe escala 4x3 para profissionais da saúde e segurança Fim da 6x1 sem ouvir empresários é decisão populista, diz senador Alcolumbre deve definir relator do fim da 6x1 nesta semana Um dos principais envolvidos nesta discussão será o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA). Aliado do governo, ele terá papel importante na definição do formato das discussões no colegiado.A definição do relator também é ponto fundamental no debate. Isso porque o senador escolhido será responsável por propor mudanças no texto aprovado pela Câmara dos Deputados e encaminhar as discussões na Casa Alta. Governo e oposição disputam justamente essa posição.Ainda que não tenha se colocado contra a proposta, Alcolumbre pediu “tempo” para a análise do texto. Depois, afirmou que a PEC passaria pelas comissões da Casa. Por último, sinalizou mudanças no texto já que, para ele, o Senado não seria uma casa “carimbadora” da Câmara.“Não podemos ser uma Casa carimbadora de propostas aprovadas na Câmara. É um assunto muito relevante para os trabalhadores e empreendedores brasileiros. Espero que o Senado possa ter o tempo razoável para se desobrigar dessa proposta com tamanha envergadura, ouvindo os setores e trabalhadores”, disse durante a sessão.O senador também disse não ser “a favor nem contra” a proposta, mas que espera que a PEC seja aperfeiçoada pelos senadores com “calma e sem pressa”.Apesar de ainda não ter enviado a PEC aprovada pelos deputados à CCJ do Senado, Alcolumbre já despachou para o colegiado uma proposta alternativa protocolada pela oposição. O texto altera a Constituição Federal para permitir que definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas mediante acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou “livre pactuação contratual direta”.A votação na Câmara foi realizada no dia 27 de maio e impôs uma pressão a mais em Alcolumbre, uma vez que a PEC foi aprovada com ampla maioria pelos deputados – com mais de 460 votos nos dois turnos.Deputados governistas saíram da votação contando que todo esse cenário joga uma responsabilidade para o Senado aprovar o texto ainda no primeiro semestre. O recesso parlamentar está previsto para começar em 18 de julho. A perspectiva do governo é, até lá, votar o texto em dois turnos na Casa Alta e ratificar a proposta que será usada como principal bandeira eleitoral.A PEC aprovada na Câmara estabelece também uma transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais em duas etapas com diminuição de duas horas cada, sem redução de salários. A primeira será feita 60 dias depois da promulgação do texto. A segunda será feita 12 meses depois, totalizando 14 meses após a promulgação da nova emenda.No Senado, alguns pontos ainda serão questionados pela oposição e por empresários. Representantes de setores têm pressionado para retardar a apreciação do texto. Eles se reuniram com Alcolumbre, quando a Câmara ainda debatia a pauta, para pedir mais tempo para analisarem a PEC. Os empresários têm se colocado contra o avanço da proposta no Congresso Nacional e defendem que a discussão não pode ocorrer em período eleitoral.Carlos Viana fala à CNN sobre escala 6x1 e caso Master; veja íntegra | LIVE CNN