O índice do apocalipse: como jatos de super-ricos podem antecipar crises globais

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Se o mundo estivesse prestes a acabar, haveria sinais? Kyle McDonald, programador e artista de Los Angeles, acredita que sim. A partir dessa hipótese, ele desenvolveu um sistema para alertá-lo sobre um possível apocalipse.A teoria de McDonald se baseia na ideia de que os super-ricos provavelmente seriam os primeiros a saber da aproximação de uma grande crise global, graças ao acesso a redes privilegiadas de informação.Diante desse cenário, é plausível imaginar que muitos tentariam escapar rapidamente. E seus jatos particulares seriam uma das principais ferramentas para isso.Foi a partir dessa premissa que McDonald criou o Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, um projeto que monitora a movimentação de aeronaves privadas ao redor do planeta e dispara alertas quando identifica padrões incomuns que possam estar associados a crises mundiais.Como funciona o alerta?McDonald trabalha como programador há cerca de 25 anos, mas afirma ter desenvolvido grande parte do projeto com o auxílio do chamado vibe coding, prática cada vez mais popular em que o desenvolvedor fornece instruções para uma inteligência artificial, responsável por gerar o código.Segundo a revista Vice, o sistema monitora dados de uma rede global de receptores de rádio que captam sinais ADS-B — tecnologia que transmite informações como posição, velocidade e altitude das aeronaves em tempo real. Atualmente, cerca de 11 mil jatos privados e aeronaves fretadas são acompanhados pela ferramenta.O sistema compara esses dados com registros históricos de movimentação aérea em períodos de emergência. A atividade é classificada em uma escala de 1 a 5, que vai de movimentação normal a níveis considerados excepcionalmente elevados.Caso haja um aumento repentino no tráfego monitorado, a plataforma envia alertas aos usuários cadastrados. Atualmente, cerca de 2,5 mil pessoas acompanham o projeto. A maioria recebe notificações gratuitas via Telegram, enquanto alguns assinantes pagam US$ 5 por ano para receber alertas por SMS ou e-mail.O sistema utiliza apenas dados públicos de rastreamento e não identifica os proprietários nem os passageiros das aeronaves.Como tudo começouQuestões relacionadas à vigilância pública já faziam parte do trabalho de McDonald antes desse projeto. Em uma iniciativa anterior, ele desenvolveu um programa de reconhecimento facial para identificar agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos) envolvidos em supostos abusos de autoridade.Segundo o Washington Post, a ideia do sistema surgiu após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Naquele momento, a possibilidade de um conflito de grandes proporções passou a parecer mais concreta para o programador.A ferramenta nasceu como uma resposta tanto à sua própria ansiedade quanto à percepção de que pessoas próximas aos centros de poder podem ter acesso antecipado a informações sensíveis.De acordo com McDonald, uma análise retrospectiva dos dados mostrou que o maior pico registrado pelo sistema ocorreu em 6 de abril, data marcada por uma escalada crítica das tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel.O programador, porém, ressalta que o projeto está longe de ser um indicador confiável do “fim do mundo”. Um alerta de nível 5 pode ser disparado por motivos muito menos dramáticos, como as viagens de fim de ano ou até mesmo eventos de grande apelo popular, como o Super Bowl, que costumam aumentar significativamente a movimentação aérea entre os mais ricos.*Sob supervisão de Renan Dantas