Ibovespa abre semana em alerta após 8 quedas seguidas e perda dos 170 mil

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O Ibovespa inicia a semana tentando encontrar algum ponto de estabilização depois de completar oito semanas consecutivas de queda, a maior sequência negativa já registrada em sua série histórica. O movimento levou o principal índice da Bolsa brasileira a perder a marca dos 170 mil pontos, em uma virada brusca de cenário após a máxima histórica registrada em abril.Há pouco mais de um mês, o índice chegou a renovar recorde intradiário aos 199.354 pontos, aproximando-se pela primeira vez da marca simbólica dos 200 mil pontos.Desde então, o mercado passou por uma forte realização de lucros, em meio à piora do ambiente externo, ao avanço dos juros futuros e à perda de apetite por ativos de risco.Juros dos EUA voltam ao centro da preocupaçãoO principal ponto de atenção para os investidores nesta semana segue nos Estados Unidos. O relatório de emprego de maio mostrou a criação de 172 mil vagas, número bem acima das estimativas de mercado, que giravam entre 80 mil e 85 mil postos.Em condições normais, um mercado de trabalho forte poderia ser lido como sinal positivo para a economia. Mas, no cenário atual, o dado reacendeu temores de que a inflação americana siga resistente e obrigue o Federal Reserve, o banco central dos EUA, a manter os juros elevados por mais tempo — ou até voltar a aumentá-los.“Os dados divulgados hoje reforçam a percepção de que o mercado de trabalho dos EUA continua sólido”, afirmou Claudia Moreno, economista do C6. Segundo ela, diante da combinação entre mercado de trabalho forte, inflação pressionada e incertezas no Oriente Médio, “não há espaço para cortes de juros neste ano e existe, inclusive, uma possibilidade de aumento nos juros”.Por que isso pesa sobre o Ibovespa?A pressão sobre o Ibovespa vem da forma como os juros americanos afetam os mercados globais. Quando os rendimentos dos Treasuries sobem, os títulos do governo dos EUA se tornam mais atrativos. Isso reduz o apetite por ativos considerados mais arriscados, como ações, moedas emergentes e bolsas de países como o Brasil.O movimento já apareceu nos preços. Os juros futuros brasileiros subiram, o dólar voltou a ganhar força e Wall Street sofreu perdas expressivas, com destaque para a queda de ações ligadas a tecnologia, semicondutores e inteligência artificial. O Nasdaq, índice mais sensível ao custo do dinheiro, chegou a cair mais de 4% na sexta-feira.Andressa Durão, economista do ASA, pondera que o relatório de emprego americano também trouxe sinais menos negativos, como estabilidade da taxa de desemprego e desaceleração dos salários. Ainda assim, ela avalia que os riscos inflacionários aumentaram, especialmente diante da tensão no Oriente Médio.Geopolítica amplia a aversão a riscoAlém dos juros, o mercado também começa a semana monitorando o conflito no Oriente Médio. O risco de escalada mantém o petróleo em patamares elevados e aumenta a preocupação com novas pressões inflacionárias globais.Esse ponto é sensível para o Fed porque uma alta persistente do petróleo encarece transportes, insumos e cadeias produtivas, dificultando a convergência da inflação para a meta. Na prática, quanto maior a percepção de inflação persistente, menor o espaço para cortes de juros.Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o payroll foi o principal gatilho da piora recente, mas o mercado passou a incorporar também um componente maior de risco geopolítico ao longo do dia. Esse quadro deve continuar no radar dos investidores nesta semana.Bolsa brasileira tenta evitar nova onda de perdasNo Brasil, o Ibovespa ainda acumula alta no ano, mas a intensidade da correção recente mudou o tom do mercado. A sequência de oito semanas negativas reforça a cautela e coloca os investidores diante de uma pergunta central: a Bolsa já caiu o suficiente para permitir uma recuperação técnica ou ainda há espaço para novas perdas?Do ponto de vista de fluxo, o ambiente externo segue desfavorável. Juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar, pressionar moedas emergentes e reduzir a atratividade relativa da renda variável. Ao mesmo tempo, a alta dos juros futuros no Brasil também pesa sobre ações, especialmente empresas mais sensíveis ao custo de capital.Vale, Petrobras e bancos seguem no radarEntre os pesos-pesados do índice, Vale e Petrobras seguem como pontos importantes de atenção. A mineradora vem sendo afetada pela queda do minério de ferro em Dalian, enquanto a Petrobras acompanha a volatilidade do petróleo no exterior.Outro fator de risco citado por analistas envolve o setor financeiro. A classificação, pelos Estados Unidos, de organizações criminosas brasileiras como terroristas pode ampliar a percepção de risco para bancos e fintechs no país, adicionando mais um elemento de cautela ao mercado local.Semana começa com teste importanteDepois de perder os 170 mil pontos, o Ibovespa entra na semana em uma região considerada sensível pelos investidores. A recuperação dependerá de uma combinação difícil: alívio nos juros americanos, estabilização do dólar, menor pressão geopolítica e melhora no fluxo para mercados emergentes.Por enquanto, o cenário ainda é de cautela. A Bolsa brasileira já passou da euforia dos quase 200 mil pontos para uma correção histórica em poucas semanas. Agora, o mercado busca sinais de que a pressão vendedora perdeu força — ou se a sequência negativa ainda pode se prolongar.The post Ibovespa abre semana em alerta após 8 quedas seguidas e perda dos 170 mil appeared first on InfoMoney.