A reunião anual da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), realizada no Rio de Janeiro, trouxe um alerta preocupante para os passageiros brasileiros: as passagens aéreas podem ficar ainda mais caras. Dois fatores tipicamente brasileiros foram apontados como responsáveis pelo possível aumento nos preços.O principal fator de preocupação é a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional. No Agora CNN, Fernando Nakagawa, que acompanhou o evento, o setor aéreo afirma que a reforma, da forma como foi aprovada, deve gerar um aumento expressivo nos preços das passagens.O novo imposto, o IVA, deve ficar entre 26% e 27%, o que, segundo as empresas do setor, impactará diretamente os custos repassados aos passageiros. Leia Mais IPCA de abril mostra queda nos preços das passagens aérea Passagem aérea sobe 14,5% em março Azul sobe tarifas em 20% e põe destinos em lista de corte se guerra durar Os números apresentados pela IATA no Rio de Janeiro são significativos. Na média, uma viagem doméstica que hoje custa R$ 650 deve subir 23%, chegando a R$ 800 por trecho. Já os voos internacionais devem registrar aumento ainda maior, de 26%, elevando o valor médio de US$ 740 para cerca de US$ 935 — o equivalente a R$ 4.675.O Ministério da Fazenda, no entanto, nega que o impacto seja dessa magnitude, argumentando que o setor aéreo estaria ignorando a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários nas compras realizadas pelas companhias.“O fato é que a confusão está instalada, o debate está instalado e as empresas aéreas estão reclamando da reforma tributária“, afirmou Nakagawa.Volume de processos judiciais também pressiona os preçosAlém da reforma tributária, outro problema nacional foi destacado durante a reunião: o elevado número de processos judiciais movidos por passageiros contra as companhias aéreas.Segundo a IATA, no Brasil há um processo na Justiça para cada 227 passageiros que viajaram de avião. Nos Estados Unidos, esse número é de apenas um processo para cada 1,2 milhão de passageiros.Esse volume de ações judiciais, segundo a entidade, faz com que as passagens brasileiras custem entre 3% e 5% a mais do que deveriam, apenas para cobrir despesas que superam R$ 1 bilhão por ano com advogados e tribunais.Nakagawa relatou ter conversado com John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas, que explicou que, apesar de algumas iniciativas da Justiça e da ANAC, o problema está se agravando — inclusive com o uso da inteligência artificial como fator de aceleração das demandas. “Isso impacta todos os brasileiros que estão pagando essa conta”, disse Rogerson. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.