Saída de estrangeiros pressiona B3 e abre oportunidades seletivas, diz analista da GT Capital

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Após a retirada líquida de R$ 14,91 bilhões de capital estrangeiro da B3 em maio, a maior saída desde 2022, o Ibovespa (IBOV) passou a operar sob pressão, com ações mais descontadas. Para o analista da GT Capital, Marcus Labarthe, porém, o movimento abre oportunidades pontuais no mercado local.No Giro do Mercado desta segunda-feira (8), o analista disse que a elevada participação de estrangeiros na Bolsa brasileira, estimada entre 60% e 65%, torna o índice sensível a fluxos de saída, o que tende a enfraquecer seu desempenho.O movimento reflete fatores domésticos e externos. No Brasil, a piora nas expectativas da inflação e do juros levou o mercado a projetar a Selic em 13,50% no fim do ano, reduzindo o apetite por renda variável. “Com títulos públicos pagando acima de 14% ao ano, fica mais difícil migrar da renda fixa para a Bolsa”, disse Labarthe.No exterior, juros altos nos EUA favorecem a realocação para ativos mais seguros e pressionam emergentes. Se persistirem, há a tendência de saída de capital desses mercados, afetando também a Bolsa brasileira e o câmbio.No pano de fundo para a expectativa de taxas maiores no Brasil e no exterior está, principalmente, a questão geopolítica, com a guerra entre EUA e Irã pressionando o preço dos combustíveis.Segundo Labarthe, contudo, após a queda recente há ações brasileiras negociando em níveis atrativos, com a queda penalizando até companhias sólidas, o que abre espaço para entrada no longo prazo. “Começa a surgir oportunidade. Você vê empresas em patamares interessantes, que já refletem muito desse cenário negativo”, disse.Ele ressalta, porém, que o cenário exige seletividade, com juros altos e incertezas externas limitando uma recuperação consistente no curto prazo. “Não é um cenário para comprar tudo. É preciso escolher boas empresas, com balanços sólidos e capacidade de atravessar esse ciclo”, afirmou.O analista lembra ainda que o início do ano tinha expectativa de Selic próxima de 11%, cenário que não tende a se confirmar. “A gente começou o ano acreditando em uma queda mais forte da Selic, chegando perto de 11%. Isso não vai acontecer”, disse.Apesar disso, avalia que períodos de saída de capital costumam criar pontos importantes de entrada para investidores de longo prazo.Para ficar por dentro das principais notícias e análises da bolsa, inscreva-se no canal do Money Times no YouTube e acompanhe o Giro do Mercado, ao meio-dia.*Com supervisão de Vitor Azevedo