Brasileiro que ajuda a Seleção usa a ‘ciência do suor’ em preparação para a Copa

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Enquanto Carlo Ancelotti trabalha dentro de campo para montar a Seleção Brasileira que buscará o hexacampeonato, outro brasileiro atua nos bastidores da preparação da equipe. Nos laboratórios da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, o pesquisador gaúcho Orlando Laitano desenvolve estratégias de hidratação e adaptação ao calor que vêm sendo utilizadas junto à Seleção Brasileira.Especialista em fisiologia do exercício e doenças relacionadas ao calor, Laitano trabalha há mais de uma década com a Seleção do Brasil, analisando como cada jogador reage às altas temperaturas e à perda de líquidos durante treinos e partidas. O objetivo é simples: fazer com que os atletas cheguem mais preparados para competir em condições extremas de calor e umidade.O adversário invisível da CopaA Copa do Mundo de 2026 será disputada em Estados Unidos, México e Canadá durante o verão do hemisfério norte. Algumas sedes, como a própria Miami, podem registrar temperaturas elevadas e altos índices de umidade, fatores que afetam diretamente o rendimento dos jogadores.Para muitos especialistas, o calor pode ser tão decisivo quanto o adversário dentro das quatro linhas.É justamente aí que entra o trabalho de Orlando Laitano. O pesquisador estuda a chamada “ciência do suor”, área que busca compreender como o corpo perde água e eletrólitos durante o esforço físico. Essas informações permitem criar estratégias individualizadas de hidratação para cada atleta.“Antigamente as pessoas pensavam que suor significava apenas esforço físico. Hoje sabemos que ele carrega muito mais informações do que apenas água”, explicou o pesquisador em entrevista à Universidade da Flórida.Cada jogador tem um suor diferenteUm dos pontos mais importantes das pesquisas de Laitano é a descoberta de que não existe uma fórmula única para hidratação.Durante os períodos de treinamento da Seleção Brasileira, o cientista utiliza adesivos coletores de suor e sistemas de monitoramento para medir exatamente quanto líquido, sódio e cloreto cada atleta perde. Com esses dados, são criados protocolos personalizados de reposição de fluidos.Segundo o pesquisador, dois jogadores podem atuar na mesma partida, sob as mesmas condições climáticas, mas perder quantidades completamente diferentes de água e minerais.Além disso, a posição em campo também influencia. Um volante que percorre grandes distâncias pode ter necessidades fisiológicas diferentes de um goleiro ou de um atacante. Por isso, cada atleta recebe orientações específicas.Vantagem competitivaNo futebol moderno, detalhes mínimos podem decidir uma partida.Uma desidratação aparentemente pequena pode provocar:Redução da resistência física;Queda da velocidade de reação;Piora na tomada de decisão;Aumento do risco de cãibras;Recuperação mais lenta entre os jogos.Em torneios curtos como a Copa do Mundo, onde uma equipe pode disputar várias partidas em poucas semanas, a capacidade de recuperação tornou-se um dos principais diferenciais competitivos.É por isso que o trabalho de fisiologistas e cientistas do esporte ganhou tanta importância dentro das seleções nacionais.Quem é Orlando LaitanoNatural do Brasil, Orlando Laitano construiu uma carreira internacional na área da fisiologia humana. Atualmente é professor assistente e diretor do Laboratório de Fisiologia Muscular e Ambiental da University of Florida, uma das principais referências mundiais em pesquisa esportiva.Sua trajetória inclui estudos sobre:Equilíbrio hídrico em atletas;Insolação por esforço físico;Adaptação ao calor;Desempenho esportivo em ambientes extremos.Além da atuação acadêmica, ele também é consultor internacional do Gatorade Sports Science Institute, organização que há décadas pesquisa hidratação e desempenho esportivo em atletas de elite.Ciência brasileira em uma Copa cada vez mais tecnológicaO trabalho de Orlando Laitano mostra como o futebol moderno está cada vez mais conectado à ciência.Hoje, seleções de ponta utilizam dados fisiológicos, monitoramento por GPS, inteligência artificial, análise biomecânica e estudos metabólicos para buscar vantagens competitivas. A hidratação personalizada faz parte desse universo.Enquanto os torcedores observam gols, dribles e defesas, profissionais como Laitano atuam nos bastidores para garantir que os jogadores estejam nas melhores condições possíveis para suportar o desgaste físico de uma Copa do Mundo.Rumo ao hexacampeonatoCom a chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira, o Brasil busca iniciar um novo ciclo rumo ao tão sonhado sexto título mundial.Mas a preparação para uma Copa não acontece apenas no campo de treinamento. Ela também passa pelos laboratórios, pela medicina esportiva e por pesquisas como as desenvolvidas por Orlando Laitano.Em 2026, quando a bola rolar nos estádios da América do Norte, parte da estratégia brasileira contra um dos maiores adversários do torneio – o calor – terá a assinatura de um cientista brasileiro que transformou o suor em ferramenta de alto rendimento.E se a Seleção levantar a taça mais uma vez, haverá muito mais do que futebol por trás da conquista. Haverá também ciência.