XP mantém aposta em renda fixa e adia otimismo com bolsa para 2027 

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Com juros nas alturas e eleições no horizonte, a XP Investimentos recomenda cautela para o segundo semestre de 2026: mais dinheiro em renda fixa, menos em bolsa e prazo curto para quem investe lá fora. A receita pode parecer conservadora, mas os estrategistas da corretora enxergam nas taxas atuais uma oportunidade histórica — e alertam que tentar antecipar uma virada pode sair caro.A carteira sugerida pela casa já opera há algum tempo com o que eles chamam de “portfólio trocado”: 55% em renda fixa, 40% em renda variável e 5% em ativos alternativos. A proporção clássica do mercado é justamente o inverso — 60% em ações e 40% em renda fixa. Baixe aqui gratuitamente o relatório completo e saiba onde investir no 2º semestre.“A gente está operando abaixo do orçamento de risco”, explicou Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, no programa Onde Investir 2026 — 2º Semestre, transmitido no YouTube. Ao lado dela estavam o economista-chefe Caio Megale e o estrategista de ações Raphael Figueredo.Renda fixa: aproveite enquanto duraA lógica é direta: com a Selic a 14% ao ano e sem corte à vista — o mercado precifica 70% de chance de o Banco Central não mexer nos juros já na semana que vem —, a renda fixa entrega retorno alto com risco baixo.“É um movimento de taxas historicamente altas, unido ao fato de que a gente está numa janela favorável também para o crédito, com seletividade”— Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP.No Brasil, a XP prefere papéis atrelados à inflação e títulos de crédito privado selecionados, com prazo médio de seis anos. Já para quem tem parte do patrimônio investido no exterior, a orientação é bem diferente: duração máxima de dois anos. O motivo é a abertura dos juros longos nos países desenvolvidos — os títulos americanos de dez anos ainda não precificaram todo o estresse fiscal global, o que significa risco de desvalorização para quem ficar preso em papéis longos. O índice de referência do mercado de renda fixa global, o AGG, tem duração média de seis anos — e a XP recomenda ficar em um terço disso.XP aponta “cabo de guerra” e elege bolsas fora dos EUA para ganhar no 2º semestreRenda fixa: XP elenca oportunidades do 2º semestre e faz alerta sobre Tesouro IPCA+Bolsa brasileira: espere o segundo tempoNa bolsa local, a visão é de paciência. A XP chegou a ver o Ibovespa flertar com os 200 mil pontos no início do ano, puxado por um fluxo histórico de capital estrangeiro. Mas o cenário mudou: o dólar voltou para a casa dos R$ 5,20, a inflação pressiona e as eleições de outubro trazem incerteza sobre o rumo da política econômica. “É um ambiente para apertar os cintos e aguentar o tranco — mais volatilidade — e esperar a bonança que pode vir no ano que vem”, disse Megale.O gatilho para a bolsa reagir está em 2027: se o novo governo sinalizar ajuste fiscal, o Banco Central terá espaço para cortar juros — a projeção da XP é Selic a 11,5% no fim de 2027 — e aí as ações voltam a ficar atraentes. Por ora, quem já tem posição em bolsa deve manter, mas sem aumentar a aposta.Veja mais: As ações preferidas da XP Investimentos em 13 setores da Bolsa brasileiraE também: XP vê Ibovespa a 205 mil pontos e aponta 2 grandes temas para ações no 2º semestreBolsa global: inteligência artificial mandaNo exterior, a história é outra. Nasdaq, bolsas da Coreia e de Taiwan batem recordes com o boom da inteligência artificial, que já aparece nos resultados das empresas. A Meta, por exemplo, atribuiu parte do crescimento de receita do último trimestre ao uso de IA para direcionar publicidade com mais precisão. Figueredo destacou o desempenho explosivo de fundos ligados a semicondutores e memória, mas fez o alerta: “Tem risco de concentrar em uma única temática. A gente defende diversificação — evitando posicionamento muito concentrado, tanto geográfico quanto de estratégia.”A recomendação prática é manter exposição a ações globais, mas sem se jogar de cabeça no tema de IA. Diversificação geográfica e setorial continua sendo a bússola — até porque o ambiente macro lá fora também piorou, com juros longos subindo e gastos fiscais crescendo em quase todo o mundo desenvolvido.O resumo do semestre, nas palavras de Megale: “Choque inflacionário agora, eleições no segundo semestre. A bonança pode vir no ano que vem — mas só para quem aguentar o tranco.”Leia tambémComprar, esperar ou sair? O que especialistas dizem após o Bitcoin desabar 50%Após cair pela metade desde a máxima histórica, indicadores técnicos chegam a níveis extremos – mas especialistas divergem sobre o momento certo de aumentar exposiçãoIbovespa despenca de quase 200 mil para 169 mil: até onde pode ir a baixa?Mesmo com recuperação pontual nesta terça, índice segue pressionado por juros, fluxo estrangeiro, risco fiscal e ruídos eleitoraisThe post XP mantém aposta em renda fixa e adia otimismo com bolsa para 2027  appeared first on InfoMoney.