“Mundo perdido” é encontrado sob o gelo da Antártica

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Sob a espessa camada de gelo da Antártida Oriental, cientistas recentemente identificaram uma vasta formação geológica até então desconhecida, composta por dezenas de bacias interligadas e organizadas em padrão semelhante a um leque. A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada pelo geofísico Egidio Armadillo, da Universidade de Gênova, a partir da análise de diferentes tipos de dados do subsolo. Você pode ler o trabalho aqui.O conjunto de bacias, batizado de East Antarctic Fan-Shaped Basin Province, ocupa uma área em que o gelo pode ultrapassar milhares de metros de espessura. Os pesquisadores analisaram sinais de radar, variações gravitacionais, registros sísmicos e campos magnéticos para reconstruir o relevo oculto sob a calota polar.Segundo o estudo publicado na Nature, a estrutura pode ter se originado antes da separação do supercontinente Gondwana e ainda hoje influencia o comportamento do gelo na região, ajudando a moldar o deslocamento das massas glaciais e a evolução do relevo antártico.Estrutura em leque revela passado tectônico da AntártidaMapa da Antártica abaixo do gelo – (Reprodução: Hamish D. Pritchard et al. Sci. Data, 2025)A análise integrada dos dados permitiu identificar cerca de 30 bacias subterrâneas conectadas entre si. Em conjunto, elas formam um desenho que se expande a partir de um ponto central próximo ao Polo Sul, criando um padrão radial que chamou a atenção dos pesquisadores.Conforme os autores da pesquisa, esse arranjo sugere que a crosta terrestre na região pode ter sofrido um processo de expansão em torno de um ponto fixo, semelhante à abertura de um leque. Essa dinâmica, conhecida na literatura geológica como extensão rotacional, teria sido responsável por moldar a geometria observada.O estudo indica ainda que a configuração não parece aleatória. As semelhanças entre as bacias, associadas a padrões de espessura da crosta e relevo, reforçam a hipótese de um mecanismo tectônico comum atuando ao longo do tempo, conforme explica o site Science Alert.Impacto na dinâmica do gelo e na história continentalImagem: murathakanart/ShutterstockA equipe responsável pela pesquisa aponta que a estrutura pode ter influência direta sobre o fluxo do gelo antártico. Isso ocorre porque a movimentação das massas congeladas depende fortemente da forma do terreno sob a superfície.Além disso, os cientistas destacam o potencial da descoberta para esclarecer processos antigos relacionados à fragmentação de Gondwana. A disposição das bacias pode registrar etapas iniciais da separação entre blocos continentais que deram origem à configuração atual da Terra.Os pesquisadores também relacionam a estrutura a outras formações profundas da Antártida, como cadeias montanhosas ocultas sob o gelo. A hipótese é que o mesmo processo tectônico possa ter contribuído para o surgimento dessas áreas ao longo de milhões de anos.Limites da interpretação e próximos passosApesar das evidências reunidas, os autores ressaltam que a cronologia exata da formação ainda não está definida. Há possibilidade de que diferentes fases de deformação tenham atuado em momentos distintos, sobrepondo padrões anteriores.Novos estudos devem buscar maior precisão na reconstrução do relevo e na definição dos eventos tectônicos envolvidos. A Antártida segue como uma das regiões menos acessíveis do planeta, o que torna a investigação do seu subsolo um desafio contínuo para a ciência.O post “Mundo perdido” é encontrado sob o gelo da Antártica apareceu primeiro em Olhar Digital.