Oferta de carne quadruplicou, mas distribuição segue desigual, diz FAO

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A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) divulgou um estudo que revela que a produção de proteínas quadruplicou nos últimos 60 anos, porém a distribuição dos alimentos segue desigual.A pesquisa analisou os dados referentes a  proteínas, leites e ovos entre 1961 e 2022 e concluiu que, nesse intervalo, o maior salto foi na produção de carne de aves, que quintuplicou, seguida por ovos e carne suína, que dobraram no volume.Entre as proteínas analisadas, apenas a carne bovina se manteve estável durante as seis décadas.  Leia Mais Indústria de carne suína tem exportação recorde em maio Preço do suíno vivo atinge menor patamar desde julho de 2012, diz Cepea Exportações de frango superam US$ 1 bilhão em maio De acordo com o estudo, a produção de proteínas aumentou em 508%, saltando de 71 milhões de toneladas para 361 milhões de toneladas. Também apresentaram um aumento expressivo no período a produção de leite, que chegou à marca de 930 milhões de litros (acréscimo de 271%), e de ovos, que aumentou 626% nas seis décadas e alcançou o patamar de  94 milhões de toneladas em 2022. Desigualdade na distribuição Segundo o levantamento da FAO, atualmente, há uma discrepância entre produção e consumo de proteínas. Apesar de liderar a produção desses alimentos, a Ásia apresenta disponibilidade “relativamente baixa por pessoa”. Já a América do Norte, que não se destaca na produção de alimentos, lidera a oferta per capita.Agro: Brasil torna-se maior produtor de carne bovina do mundo | CNN PRIME TIMEDe acordo com a pesquisa, nesses sessenta anos, o aumento na produção não se reverteu necessáriamente em maior disponibilidade de alimentos. O relatório da FAO destaca que o desperdício desses alimentos também agrava as desigualdades. Segundo a organização, 14% das comidas de origem animal são desperdiçadas, principalmente por fatores logísticos.A pesquisa mostra também que esses desafios são mais frequentes em países de média e baixa renda, o que dificulta o consumo de proteínas de origem animal. Na avaliação do estudo, outro fator que dificulta a melhor distribuição  para países em desenvolvimento é o comércio internacional. A pesquisa destaca que o volume comercializado representa apenas 10% do consumo global.Política de alimentaçãoO estudo da FAO concluiu que países de alta e média-alta renda priorizam segurança alimentar, a qualidade e a regulamentação do marketing, enquanto países de baixa renda e de renda média-baixa priorizam o aumento da produção, a melhoria da disponibilidade e a redução dos preços para aumentar a acessibilidade e a autossuficiência. Os dados também mostram que carnes e laticínios com maior teor de gordura parecem ser frequentemente mais acessíveis e baratos do que alternativas mais saudáveis.Pesquisa: brasileiros devem continuar a consumir carne bovina