O Irã ameaçou bloquear outro corredor marítimo vital no Oriente Médio caso Israel amplie sua ofensiva, afirmou um conselheiro sênior do líder supremo iraniano, segundo a mídia estatal do país neste domingo (7).Ali Velayati advertiu que o Irã poderia bloquear o estreito de Bab al-Mandab após Israel ameaçar dar uma resposta “poderosa” à onda de mísseis que, segundo o governo israelense, foi lançada por Teerã — os primeiros ataques desse tipo desde o início de abril.Localizado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, o estreito é uma importante rota marítima que conecta grandes corredores comerciais entre a Europa, a Ásia e o mundo árabe.“A atual situação de segurança em Bab al-Mandab não deve levar o inimigo a um erro de cálculo”, disse Velayati à emissora iraniana Press TV.“A escolha é de vocês: parar com essa tolice ou entrar em uma equação equilibrada para disciplinar os dois estreitos.” Leia mais Trump diz que Netanyahu "não dá as cartas" e terá de aceitar acordo com Irã Israel ameaça intensificar ataques no Líbano após disparo de mísseis do Irã Israel diz que "Teerã deve queimar" após interceptar mísseis do Irã Por meio da mobilização de seu aliado regional, os houthis do Iêmen, o Irã poderia orquestrar o fechamento do estreito de Bab al-Mandab. Uma medida desse tipo aumentaria ainda mais a pressão sobre a economia global.As tensões escalaram neste domingo, quando a guerra completou 100 dias. Israel atacou Beirute pela primeira vez desde o novo cessar-fogo, anunciado pelos Estados Unidos na semana passada. Em resposta, o Irã disparou mísseis, que foram interceptados pelas forças israelenses e ameaçou uma resposta “mais devastadora” se Israel continuar com os bombardeios no Líbano.Relembre como começou a guerra no IrãNo dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque “de grande escala” ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”.Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?