Parada LGBT+ de SP chega aos 30 anos com vitalidade, mas queda de público e patrocínio

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Em meio a um corte de 60% em patrocínios e clima de disputa política nos trios, a 30ª edição da Parada LGBT+ de São Paulo levou cerca de 36 mil pessoas à Avenida Paulista neste domingo (7). O evento começou às 10h e seguiu durante toda a tarde, com shows de Glória Groove, Urias e Pabllo Vittar.A principal avenida do país ficou lotada de leques, bandeiras com arco-íris, roupas extravagantes e fantasias brilhantes. Segundo dados do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento da Universidade de São Paulo (Cebrap-USP), cerca de 36 mil pessoas estiveram na Paulista para celebrar a comunidade LGBT, público inferior a outras edições do evento. Em 2024 e 2025, a Parada reuniu respectivamente 73 mil e 48 mil pessoas.A queda no público acompanha a debandada de patrocinadores. Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), apenas três das 12 marcas que financiaram o evento em 2025 seguem apoiando a Parada em 2026: Amstel, L’Oréal e Philip Morris Brasil, uma diminuição de cerca de 60% da receita do evento, o que causou a redução de 20 para 14 o número de trios elétricos.O fato não passou despercebido no discurso, na abertura do evento, da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP). A parlamentar classificou a saída das empresas como “uma demonstração de oportunismo”.30 anos de orgulhoEste ano marca os 30 anos da Parada de São Paulo. Salete Campari, conselheira estadual LGBTQIA+, conta que o evento começou modesto e cercado de preconceitos: “A gente fez a primeira marcha saindo da praça Roosevelt e indo até a praça da República. Iam 40, 50 pessoas, e de drag queen eu era a única. Então, eu fico muito feliz de ver que 30 anos depois isso virou a maior Parada LBGT do mundo”.O aniversário chegou a virar adereço para outra veterana da Parada. Renata Peron esteve em 22 das 30 edições e se vestiu de branco com um enorme “30” em sua tiara na cabeça. Para Renata, a cor representa a paz em meio aos desafios da luta pelos direitos da comunidade: “apesar de estarmos sempre lutando, também queremos paz”.Forte teor políticoA três meses das eleições, o tema deste ano foi “A Rua Convoca, A Urna Confirma”, contando com aparições do novo mascote do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a urna “Pilili”, nos trios elétricos. A urna não foi a única referência ao pleito de outubro. Figuras políticas como as deputadas federais Sâmia Bomfim e Érika Hilton (PSOL-SP), além do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), discursaram na abertura da Parada defendendo os direitos da população LGBTQIA+, a realização da Parada na Av. Paulista, o fim da escala 6×1 e contra o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).O evento, que acontece na Avenida Paulista desde 1997, está em risco. Em 20 de maio, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União) que prevê o fim da participação de crianças e a proibição da Parada em vias públicas, obrigando que a festividade aconteça em ambientes privados. Para virar lei, o texto ainda precisa passar por uma segunda votação e ser sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).À Jovem Pan, Erika Hilton falou sobre a representatividade do evento: “Quando a gente fala da comunidade LGBTQIA+ há muitos recortes dolorosos, então quando a gente pode ocupar esse espaço com felicidade é um momento de mostrar que estamos vivos”. A parlamentar ainda citou o incômodo de parte da sociedade ao ver pessoas transsexuais e travestis em cargos políticos: “As pessoas acham que uma deputada não pode ser assim. O que eles acham que um deputado deve fazer, estar envolvido com o Banco Master, roubar dinheiro de aposentados e pensionistas?”.