O presidente da China, Xi Jinping, viajará à Coreia do Norte na próxima semana, anunciaram os dois países nesta sexta-feira, 5, na primeira visita do líder chinês ao país em quase sete anos.A viagem é o capítulo mais recente de uma série de movimentos da China para reforçar os laços com seu vizinho dotado de armas nucleares. Nos últimos anos, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, se aproximou da Rússia, sobretudo ao enviar tropas e armamentos convencionais para apoiar a guerra contra a Ucrânia.No último ano, porém, Kim também tem buscado melhorar as relações com a China – maior parceiro comercial da Coreia do Norte e principal fonte de ajuda ao país.“À medida que a Coreia do Norte estreita laços com a Rússia, a China busca usar a viagem de Xi para reafirmar sua influência sobre Pyongyang e proteger seus interesses estratégicos no nordeste da Ásia”, disse William Yang, analista do International Crisis Group.Xi fará uma visita de Estado de segunda a terça-feira (dias 8 e 9), informaram em notas breves as agências de notícias estatais chinesa e norte-coreana. A última visita do líder chinês ocorreu em junho de 2019.A viagem deverá servir para aprofundar os vínculos bilaterais e fortalecer a paz e a estabilidade regionais, afirmou hoje uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.“As tradicionais relações amistosas e de cooperação entre a China e a RPDC continuaram a se desenvolver de maneira sólida e estável, trazendo benefícios tangíveis para ambos os países e seus povos”, disse a porta-voz Mao Ning, usando a sigla do nome oficial da Coreia do Norte.A visita ocorre poucas semanas depois de Xi ter recebido, em rápida sucessão em Pequim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.O programa nuclear da Coreia do Norte é, há anos, uma das principais preocupações dos Estados Unidos, que se opõem a ele. Por causa do desenvolvimento de armas nucleares e mísseis, a ONU impôs sanções econômicas ao país.O anúncio da viagem ocorreu um dia após a Coreia do Norte revelar uma nova instalação para produzir material destinado a bombas nucleares. Acredita-se que seja uma planta de enriquecimento de urânio, embora o país não tenha confirmado.Durante visita ao local, Kim anunciou planos de fortalecer as forças nucleares do país “em ritmo exponencial”. Especialistas afirmam que a divulgação da instalação indica que Kim quis reforçar o status da Coreia do Norte como potência nuclear antes da visita de Xi.Segundo esses especialistas, Kim busca reconhecimento internacional como Estado nuclear para exigir o fim das sanções. Eles avaliam que, mais adiante, o líder norte-coreano tentaria negociar com os EUA reduções de armamentos em troca de concessões, oferecendo uma renúncia parcial da capacidade nuclear do país.Kim tem priorizado a expansão do arsenal nuclear desde que sua diplomacia de alto risco com Trump fracassou, em 2019.Trump tem reiterado o desejo de retomar a diplomacia com Kim, mas o líder norte-coreano afirma que os EUA precisam primeiro abandonar a exigência de desnuclearização como condição prévia para conversas.Analistas observarão se – e como – a China abordará durante a visita de Xi as pressões internacionais pela desnuclearização norte-coreana.Xi e Kim se encontraram em Pequim em setembro do ano passado e prometeram apoio mútuo e cooperação ampliada. Kim estava na capital chinesa para participar de um desfile militar ao lado de outros líderes estrangeiros, incluindo Putin.Rússia e China, ambos membros do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, já frustraram tentativas dos EUA e de aliados de endurecer as sanções internacionais contra a Coreia do Norte, apesar dos testes de armamentos proibidos.No encontro em Pequim no mês passado, Putin e Xi manifestaram oposição ao “isolamento em política externa, sanções econômicas, pressão militar e outros métodos de criação de ameaças à segurança” da Coreia do Norte, segundo comunicado do Kremlin.Em sintonia com ideias de uma “nova Guerra Fria” e de um mundo multipolar, Kim vem defendendo uma política externa mais assertiva, ampliando laços com países em confronto com os Estados Unidos.A viagem ao exterior é relativamente rara para Xi, que reduziu drasticamente sua agenda internacional desde a pandemia de covid-19. Sua última visita fora do país foi à Coreia do Sul, no outono passado, para a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), quando se encontrou com Trump. Fonte: Associated Press. *Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.