EUA x Irã: conflito buscaria mudança de regime, petróleo ou acordo nuclear?

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A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã alcança um ponto crítico em meio a impasses sobre o programa nuclear iraniano, arsenal de mísseis e sanções econômicas.Enquanto Washington exige redução drástica do enriquecimento de urânio, atualmente em 60% (um passo antes da capacidade de produção de armas nucleares), e maior fiscalização internacional, Teerã resiste a abrir mão de capacidades estratégicas e cobra o fim das restrições que afetam sua economia.Informações recentes da agência Reuters revelam que o planejamento militar dos Estados Unidos atingiu um estágio avançado, com opções que incluem desde ataques pontuais até tentativas de mudança de regime em Teerã.Segundo a revista The Economist, entre os cenários contemplados pelos planejadores do Pentágono estaria até mesmo o assassinato de lideranças políticas e militares iranianas, enquanto o Wall Street Journal sugere a possibilidade de uma ação militar inicialmente limitada para forçar o Irã a ceder às exigências americanas. Leia Mais EUA dizem que houve progresso em relação ao Irã, mas ainda há divergências Rússia está tentando reduzir tensões relacionadas ao Irã, diz Kremlin Negociações com os EUA podem levar a acordo "justo", diz presidente do Irã Estratégia militar em múltiplas fasesVitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, detalha que uma possível operação militar americana poderia se desenvolver em cinco fases: cegueira estratégica (com ataques cibernéticos e neutralização das defesas aéreas iranianas); supremacia aérea (bombardeios a arsenais e alvos específicos como lideranças da Guarda Revolucionária Islâmica); ataques à infraestrutura nuclear; guerra marítima (para neutralizar minas navais no Estreito de Hormuz e embarcações iranianas); e dissuasão prolongada, com patrulha aérea contínua, sanções máximas e pressão diplomática.“O mais provável é que os Estados Unidos procurem alguém no regime iraniano para negociar, ou seja, a decapitação do Khamenei e alguém que ficasse responsável pelo país”, afirma Brustolin, destacando que isso não significaria necessariamente uma mudança de regime completa, mas a submissão de uma liderança interna aos interesses americanos.O aparato militar mobilizado pelos Estados Unidos na região é impressionante, incluindo caças de quinta geração (F-22, F-35), aviões de detecção avançada, dois porta-aviões (um com capacidade para 65 aeronaves e outro para 90), além de aproximadamente 12 navios de guerra, entre destroyers, cruzadores e submarinos nucleares.Geopolítica do petróleo e interesses estratégicosA disputa vai muito além da questão nuclear, envolvendo o controle sobre recursos energéticos e equilíbrio regional de poder.Américo Martins, analista sênior de Internacional, destaca a importância do petróleo iraniano, que é exportado em grande parte para a China, conectando o conflito a uma disputa geopolítica mais ampla entre Washington e Pequim.“A China e a Rússia estão muito preocupadas com isso, porque são aliados do Irã. A China compra muito petróleo iraniano e está vendo o presidente dos Estados Unidos tentar se apoderar do petróleo de nações que exportavam, exportam ainda muito petróleo para a China, o caso da Venezuela, o caso do Irã”, explica Martins, acrescentando que “estão entendendo que essa é uma disputa geopolítica por recursos e que o grande alvo, no final das contas, é a China”.Enquanto Israel aparece como principal aliado americano nesse cenário, pressionando por ações mais contundentes, os parceiros europeus demonstram cautela e relutância em se envolver diretamente no conflito. Já a Rússia, apesar de apoiar o Irã, mantém seu foco na guerra da Ucrânia e não deve se envolver militarmente em um eventual confronto.Por que os EUA querem mudança de regime no Irã Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.