Um artigo publicado nesta segunda-feira (23) na revista Nature Astronomy revela que a estrela WOH G64 passou por transformações inesperadas há pouco mais de uma década. Entre 2013 e 2014, ela mudou de cor, indicando aumento de temperatura. No ano passado, o brilho do objeto diminuiu, levantando dúvidas sobre seu futuro.Em resumo:A estrela WOH G64 mudou cor e brilho recentemente;Objeto fica na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha;É uma estrela hipergigante, entre as maiores já conhecidas;Poeira, pulsações e uma possível companheira explicam variações;Ela pode explodir como supernova ou virar buraco negro.WOH G64 está localizada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa, a cerca de 160 mil anos-luz da Terra. Apesar de ter menos de um décimo da massa da Via Láctea, essa galáxia abriga muitas estrelas extremamente grandes. Isso ocorre porque ela possui menos elementos químicos pesados, o que favorece a formação de astros gigantes.Representação artística da WOH G64, a primeira estrela fora da nossa galáxia a ser observada de perto. Crédito: ESO/L. CalçadaEstrelas massivas consomem combustível rapidamenteNa Via Láctea existem estrelas colossais, como NML Cygni e RW Cephei, ambas maiores que Betelgeuse, que já tem cerca de 700 vezes o tamanho do Sol. Mesmo nesse grupo seleto, WOH G64 chama atenção. Seu raio é estimado em aproximadamente 1.540 vezes o do Sol, colocando-a entre as maiores já identificadas.Estrelas tão massivas consomem seu combustível nuclear rapidamente. Por isso, têm vida relativamente curta e finais violentos. Os astrônomos acreditam que WOH G64 poderá explodir como supernova ou colapsar diretamente, formando um buraco negro. Por essa razão, ela é observada com atenção constante.A mudança de cor observada intrigou os cientistas porque a cor de uma estrela está ligada à sua temperatura. Em geral, estrelas vermelhas são mais frias que as amarelas. A alteração sugeria um aumento de cerca de 1.000°C. No entanto, a equipe propõe que a explicação pode ser mais complexa.Segundo os pesquisadores, WOH G64 pode sempre ter sido mais quente do que aparentava. Ela está envolta por grandes quantidades de poeira e gás, que bloqueiam parte da luz e alteram sua aparência. A mudança para um tom mais amarelado pode ter ocorrido porque, temporariamente, houve menos obstrução na linha de visão.Estrela WOH G64, no registro feito pelo VLT, do ESO. Esta é a primeira imagem em grande plano de uma estrela fora da Via Láctea. Crédito: ESO/K. Ohnaka et al.Desde a década de 1980, a estrela é conhecida por expelir grandes volumes de material por meio de ventos estelares. Ela libera o equivalente à massa do Sol a cada 10 mil anos. Ao seu redor existe um envelope de gás estimado entre três e nove massas solares, além de camadas externas de poeira formadas em períodos anteriores.Outro fator que dificulta a análise é que WOH G64 apresenta pulsações regulares. Seu brilho varia em ciclos de pouco mais de dois anos. Essa oscilação é comum em estrelas supergigantes no fim da vida. Porém, a queda registrada em 2025 foi mais intensa do que o padrão habitual.Leia mais:Lucy: a estrela que se tornou um diamanteHubble registra espetáculo de luz em torno de estrela morrendoMistério em Andrômeda: estrela massiva desapareceu na galáxia vizinha da Via LácteaDiferentes cenários para o futuro do objetoO estudo foi liderado pelo astrônomo Gonzalo Muñoz-Sanchez, do Observatório Nacional de Atenas, na Grécia. A equipe sugere que WOH G64 pode integrar um sistema estelar simbiótico. Nesse tipo de sistema, duas estrelas orbitam uma à outra e trocam material, influenciando seu brilho e evolução.Nesse cenário, uma estrela maior e menos densa convive com uma companheira menor, porém mais compacta. A estrela menor pode atrair matéria das camadas externas da maior. Isso pode gerar variações na luminosidade e mudanças na aparência do sistema.O gás e a poeira ao redor impedem que os telescópios separem claramente as duas possíveis estrelas. Assim, os cientistas ainda não sabem quanta luz observada vem da hipergigante e quanta pode vir da companheira. Também permanece incerto se a mudança de cor foi causada por alterações internas ou por interações entre ambas.Há diferentes cenários para o futuro de WOH G64. Ela pode entrar em erupção e expelir mais camadas externas, que esfriariam ao se afastar, fazendo a estrela parecer novamente mais vermelha. Outra possibilidade é o colapso direto em um buraco negro.Também não se descarta uma eventual fusão entre as duas estrelas, caso o sistema seja realmente binário. Mesmo que isso ocorra, seria apenas uma etapa antes do desfecho final, que provavelmente envolverá uma explosão ou colapso gravitacional.Os pesquisadores consideram que WOH G64 é forte candidata a uma supernova do tipo II. Essas explosões acontecem quando estrelas muito massivas esgotam seu combustível. Conforme destaca o site IFLScience, a última supernova visível a olho nu foi a Supernova 1987A, também na Grande Nuvem de Magalhães.Se WOH G64 explodir, o fenômeno poderá ser observado principalmente no hemisfério sul. O gás ao redor pode moldar a explosão, permitindo que a energia escape pelos polos enquanto espalha poeira na região equatorial. Até lá, astrônomos seguem monitorando cada sinal dessa estrela colossal.O post Estrela gigante muda de cor e tem destino incerto apareceu primeiro em Olhar Digital.