Não entender o que crianças dizem pode até ser normal, mas já imaginou não saber nem sequer uma palavra do que elas falam?Em algumas creches na Lapônia, região do Círculo Polar Ártico (entre a Noruega, Suécia, Filândia e Rússia), já é possível escutar conversas em inari sámi. A língua indígena é originária de Lago Inari, na Finlândia, e há poucas décadas esteve muito próxima da extinção.Para se ter uma noção, em 1995, apenas duas famílias falavam com seus filhos em inari sámi e apenas quatro falantes tinham menos de 20 anos de idade.Tudo mudou graças a um projeto iniciado na Nova Zelândia, situada a milhares de quilômetros da Finlândia.Isso porque a terra do povo “Kiwi” elaborou projetos de revitalização de línguas indígenas locais. Isso acabou inspirando um programa de imersão linguística na Lapônia.“Ninho de língua” vai além da gramáticaO “ninho de língua” é um modelo de educação usado na primeira infância, período que vai do nascimento até os seis anos, que visa a formar uma nova geração de falantes por meio da imersão total das crianças. Ele foi criado na Nova Zelândia na década de 1970 e ajudou a revitalização linguística entre comunidades indígenas.Seguindo o modelo, as onze crianças da creche na Lapônia vivenciam a língua através de canções, decorações e elementos tradicionais do povo Sámi na sala de aula.Esse projeto chegou à Finlândia em 1990. Desde então, estima-se que já existam hoje cerca de 500 falantes de inari sámi, de todas as idades.As crianças de famílias que já falam a língua têm prioridade para participar dos ninhos. Mas aquelas que não têm o conhecimento também podem fazer parte, desde que haja vagas disponíveis.O ‘porém’ que dificulta a expansão do programa é a falta de recursos necessários. Ainda que as línguas sámi (o sámi do norte, o sámi de Inari e o sámi skolt) sejam reconhecidas como oficiais, há escassez de professores.Ainda que exista um curso intensivo para adultos em língua e cultura sámi de Inari, a demanda por professores aumenta. Além disso, conforme as crianças da creche crescem, também há um crescimento de oferta para o ensino fundamental e médio.*Com informações da BBC