Apesar o crescimento dos estoques, o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de juros elevados, e a expectativa é que 2026 ao menos bata os bons resultados do ano anterior. As impressões e dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta segunda-feira (23). Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% em relação a 2024. O valor geral lançado (VGL) somou R$ 292,3 bilhões.Para o conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho mostra que as incorporadoras reagiram diretamente à demanda, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.“Apesar da taxa de juros, 2025 foi um ano de recordes. O incorporador seguiu sentindo a demanda aquecida e seguiu lançando”, afirmou Petrucci.Os empreendimentos verticais residenciais monitorados pela pesquisa alcançaram 221 cidades no país.Leia mais: Após manutenção da Selic em 15%, ABRAINC cobra corte nos juros; Abecip segue otimistaDo lado das vendas, o setor também registrou marcas históricas. No 4º trimestre de 2025, foram comercializadas 109 mil unidades residenciais, o maior volume já observado para um trimestre. No acumulado do ano, as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4% em relação a 2024, configurando outro recorde anual.Em termos de valor, o setor movimentou R$ 67 bilhões em vendas apenas no 4º trimestre. No ano, o VGV (Valor Geral de Vendas) chegou a R$ 264,2 bilhões, crescimento de 3,5% na comparação com 2024.Regionalmente, no acumulado de 12 meses, o Sudeste liderou as vendas, com 220.087 unidades, seguido pelo Sul (89.769 unidades), Nordeste (80.111 unidades), Centro-Oeste (23.540 unidades) e Norte (12.753 unidades). Estoque sobe, mas escoamento permanece abaixo de um anoA oferta final de imóveis residenciais verticais disponíveis ao fim do 4º trimestre de 2025 foi de 347.013 unidades, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024. É o maior nível desde o 4º trimestre de 2023.Apesar da elevação do estoque, o tempo de escoamento da oferta – indicador que estima em quantos meses o estoque atual seria vendido mantido o ritmo de vendas – ficou em 9,8 meses no 4º trimestre de 2025.Segundo Fábio Tadeu Araújo, diretor-sócio da Brain Inteligência Estratégica, responsável pela pesquisa, esse patamar ainda indica um mercado relativamente saudável quando comparado a períodos de crise.“É um escoamento rápido, de menos de um ano. Durante o pico da época dos distratos, em 2016 e 2017, esse indicador era de quase 30 meses, aquilo sim era uma crise”, disse Araújo.O tempo de escoamento atual é o maior desde o 4º trimestre de 2024, quando o indicador estava em 9 meses. No 2º trimestre de 2025, o índice chegou a cair para 8,3 meses.Minha Casa Minha Vida ganha ainda mais pesoO programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve papel central na sustentação do mercado em 2025. Os lançamentos dentro do programa cresceram 13,9% em relação a 2024, enquanto as vendas avançaram 15,1% no mesmo período.No ano, foram lançadas 228.842 unidades verticais no âmbito do MCMV, alta de 13,5% na comparação anual, e vendidas 196.876 unidades, incremento de 15,9%. Ao fim de 2025, o programa encerrou o ano com recorde de 69.168 unidades lançadas no 4º trimestre.A participação do MCMV é mais relevante nas regiões Norte e Nordeste, onde se consolidou como principal pilar de produção habitacional. No Norte, o programa responde por 69% do setor e no Nordeste, 50%.O escoamento da oferta no MCMV é ainda mais rápido que a média geral, em 7,9 meses. O preço médio das unidades do programa ficou em R$ 202,5 mil.Preços sobem 18,6% em 12 meses e se descolam da inflaçãoOs dados apresentados pela CBIC também mostram uma forte valorização dos imóveis residenciais no país. Segundo Petrucci, os preços vêm se afastando dos principais índices de inflação desde o ano passado.“FGV e Abecip capturam o IGMI-R, que mostra uma variação acumulada de 18,6% nos últimos 12 meses, muito descolada do IPCA, de 4,26%, e do INCC, de 5,9%. Desde 2024 a gente percebe um descolamento da variação imobiliária. A aquisição do imóvel continua sendo vantajosa e a valorização real do imóvel tem sido bastante alta”, disse.Perspectivas positivas para 2026A CBIC avalia que a projeção de demanda potencial permanece elevada, sustentada pelo nível recorde de intenção de compra e pelo papel do Minha Casa Minha Vida.Para 2026, o setor trabalha com um cenário considerado mais favorável, com expectativa de queda adicional da taxa Selic e melhora das condições de crédito imobiliário. A meta do governo de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o fim do ano, aliada à garantia de orçamento do FGTS, é vista como um importante vetor de sustentação da demanda.Além disso, a expansão do funding via SBPE e mercado de capitais, com crescimento projetado de 16% pela Abecip, deve contribuir para um aquecimento gradual do mercado ao longo do ano.Nesse contexto, a avaliação dos representantes do setor é de que o mercado imobiliário em 2026 pode ter um desempenho superior ao de 2025, que já foi marcado por recordes em lançamentos e vendas, resiliência da demanda e consolidação do Minha Casa Minha Vida como pilar central da atividade.The post Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas, apesar de juros appeared first on InfoMoney.