Pelé teve uma descarga de emoção antes da final da Copa de 1970, contra a Itália

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Pelé era o cérebro e o coração da seleção de 1970 que conquistou o tricampeonato no México. Naquele inesquecível 21 de junho, o Rei estava à caminho do Estádio Azteca, quando um filme passou pela cabeça do camisa dez. Campeão aos 17 anos, em 1958, na Suécia, Pelé se machucou no mundial seguinte, no Chile, e jogou apenas as duas primeiras partidas. Mesmo assim, a equipe nacional conquistou o bicampeonato. Em 1966, na Inglaterra, o Brasil não passou da primeira fase e o Rei começou a achar que dava azar nos mundiais e até cogitou a nunca mais disputar a competição.Entretanto, a história seria bem diferente, em 1970, quando a seleção fez uma campanha irrepreensível e entrou para a história como a melhor em todos os tempos. Ainda dentro do ônibus, rumo ao Azteca, Pelé chorou como uma criança, mas baixou a cabeça para que os companheiros não percebessem. Aos 29 anos, ele queria mostrar sobriedade e liderança em relação aos jogadores mais novos.O jogo entre Brasil e Itália seria um tira teima entre continentes. Os europeus tinham quatro títulos: Itália (2), Alemanha e Inglaterra. Os sul-americanos também: Brasil e Uruguai, dois cada. Pelo regulamento, como brasileiros e italianos eram bicampeões, quem conquistasse o mundial pela terceira vez ficaria em definitivo com a taça Jules Rimet. O troféu, esculpido pelo francês Abel Lafleur para a primeira Copa, em 1930, no Uruguai, tinha 30 cm de altura e 3,8 kg de ouro. Havia sido uma encomenda do então presidente da FIFA, Jules Rimet, idealizador do torneio entre seleções. A taça recebeu o nome dele apenas em 1946. O jornalista Teixeira Heizer descreveu o clima no estádio, pouco antes do início da partida: “Às 14 horas, o estádio Azteca já estava com sua capacidade esgotada. Números oficiais: 107 mil torcedores, mas especula-se que, no mínimo, 115 mil se apertavam pelas boas acomodações da bela praça de esportes mexicana. No ônibus, Pelé trincava os dentes. Não disse a ninguém, mas admitiu que esse deveria ser  seu último jogo de Copa do Mundo.” Aos 17 minutos, o Rei abriu o placar com um golaço de cabeça. A Itália empatou, ainda no primeiro tempo, mas a seleção fez uma apresentação de gala na etapa final: Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto fecharam a goleada: 4 a 1. Rivellino conta que, depois da vitória, Pelé entrou no vestiário aos berros: “Eu não morri não, eu não morri não, eu não morri não!”. O Rei mostrou para o mundo que estava mais vivo do que nunca e é até hoje o único atleta da história a conquistar a Copa três vezes como jogador (em 4 disputadas), enquanto Zagallo se tornava, na época, o primeiro campeão do mundo como atleta (58-62) a vencer um título como treinador. O “velho lobo” ainda conquistaria o mundial de 1994 como auxiliar de Carlos Alberto Parreira. Compartilho neste espaço, duas horas de pós-jogo da transmissão da Jovem Pan em 21 de junho de 1970. É imperdível!