Os Jogos de Inverno de Milão-Cortina-2026 chegaram ao fim. A cerimônia de encerramento da 24ª edição ocorreu neste domingo, na Arena de Verona, anfiteatro construído por volta do ano 30. O local é mais antigo que o Coliseu de Roma, que tem construção estimada em 80.O encerramento iniciou com a orquestra The Fondazione, que administra a Arena de Verona. Foi a primeira vez desde Atenas-1896 que um monumento da Antiguidade sediou uma cerimônia dos Jogos Olímpicos.O título da cerimônia foi Beleza em Ação, com assinatura da diretora Stefania Opipari. “A Arena representa um grande desafio e uma oportunidade inesquecível. É um lugar cheio de emoções, histórias e energia, que nos obriga a imaginar algo diferente do passado”, disse Opipari.Antecedendo a entrada da delegação italiana e a chegada do fogo olímpico, foram exibidas imagens de personagens icônicos dos Jogos, ao som da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi. A apresentação musical também teve Calibro 35, a cantora Margherita Vicario e o rapper Davide Shorty.Os medalhistas da edição foram destacados em imagens. Entre eles, esteve o brasileiro Lucas Pinheiro Braathen, campeão do esqui slalom gigante. A vitória dele rendeu a primeira medalha a um país latino-americano nos Jogos de Inverno.A chama olímpica chegou à Arena abrigada em uma ampola de vidro veneziano da ilha de Murano. O fogo foi carregado pelos campeões olímpicos de esqui cross-country em Lillehammer-1994, Maurilio De Zolt, Marco Albarello e Silvio Fauner.Um dos atos do encerramento foi a Cerimônia da Vitória, com a premiação dos medalhistas da largada em massa 50 km do esqui cross-country, que receberam as medalhas diretamente da presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry.No sábado, a modalidade teve a prova masculina, com pódio totalmente norueguês: Johannes Hosflot Klaebo (ouro), Martin Lowstrom Nyenget (prata) e Emil Iversen (bronze). O feminino foi neste domingo, com ouro da sueca Ebba Andersson, prata da norueguesa Heidi Weng e bronze da suíça Nadja Kaelin.Outro bloco, intitulado Uma Bela Terra: Ciclo da Água, pregou respeito ao meio ambiente e à natureza. Um grupo de dançarinos representou o ciclo da água em Veneto. Do gelo para a água, os dançarinos abriram espaço para Joan Thiele cantar a famosa música italiana “Il Mondo”, com gôndolas que representaram Veneza.“A sustentabilidade não é apenas um tema narrativo, mas uma abordagem para a produção da Cerimônia. 80% do palco será feito de madeira. 90% dos equipamentos de iluminação são de LED, e nossos figurinos são confeccionados com materiais reciclados ou tecidos criados para outros usos”, disse Stefania Opipari.A bandeira olímpica foi passada pelos prefeitos de Milão e Cortina d’Ampezzo à Kirsty Coventry, que a repassou às autoridades da próxima sede dos Jogos de Inverno. A edição de 2030 será nos Alpes Franceses. Uma pequena orquestra de 12 músicos, conduzida pelo maestro francês Thomas Roussel, tocou o hino da França, cantado por Marine Chagnon.No discurso de encerramento, Kirsty Coventry, definiu os Jogos como “mágicos”. “Vocês foram incríveis, cada um de vocês. Corajosos. Destemidos. Cheios de garra e paixão. Deram tudo de si na neve e no gelo. Foram duas semanas inesquecíveis, vivendo cada momento ao máximo. Vocês se entregaram por completo e compartilharam isso com todos nós”, comentou.“Este é o verdadeiro espírito olímpico: competir, se abraçar, se apoiar mutuamente, independentemente do resultado. Vocês nos mostraram o que são excelência, respeito e amizade em um mundo que às vezes se esquece desses valores,” completou.Edson Bindilatti se despede dos Jogos OlímpicosEsta edição marcou o melhor desempenho do Brasil. Lucas Pinheiro Braathen garantiu a primeira medalha de uma Olimpíada de Inverno ao País e deixou o Brasil na 19ª posição do quadro de medalhas.O piloto do bobsled 2-man e 4-man, Edson Bindilatti, foi o escolhido para ser o porta-bandeira brasileiro na cerimônia. Foi a terceira vez que ele carregou a bandeira do Brasil. Antes, o atleta havia sido o escolhido nas cerimônias de abertura de Pyeongchang 2018 e de Pequim 2022, esta última ao lado de Jaqueline Mourão, do esqui.Bindilati, de 47 anos, chegou a se aposentar após os Jogos de Pequim, mas retornou para ajudar a formar novos atletas do bobsled. “São 26 anos trabalhando em prol do bobsled e das modalidades de inverno. Então, para mim, foi muito gratificante”, comentou sobre a escolha de ser porta-bandeira novamente.Os Jogos de Milão-Cortina foram os últimos de Bindilati. “É o fim da minha jornada como atleta olímpico. Mas ainda quero continuar mais este ano aqui para fazer a transição de uma forma ideal para o Gustavo Ferreira. Com os outros atletas que estão vindo ali na pilotagem. Para ser uma boa transição e permitir que nos mantenhamos no alto rendimento, acho que isso é o mais importante”, afirmou ele, que também já foi decatleta e conquistou títulos sul-americano e ibero-americano.O bobsled brasileiro ficou na 19ª colocação na disputa no Cortina Slide Center e garantiu a melhor colocação entre todas as suas participações em Jogos Olímpicos de Inverno. A anterior havia sido o 20º lugar em Pequim-2022.Na Itália, o Brasil teve a maior delegação da história, com 14 atletas. O País teve o ciclo competitivo nas cinco modalidades que estiveram na Itália (bobsled, skeleton, esqui alpino, esqui cross-country e snowboard).“Começamos bem, aumentando o número de participantes, aumentando o número da delegação. E fechamos literalmente com a chave de ouro, conquistando a primeira medalha olímpica do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. E logo uma medalha de ouro”, celebrou Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB).Outros destaques, como melhor resultado das respectivas modalidades, vieram com Nicole Silveira e o 11º lugar no skeleton feminino; e Pat Burgner e o 14º lugar no snowboard halfpipe.*Com informações do Estadão Conteúdo Leia também Portuguesa x Corinthians: confira a transmissão da Jovem Pan ao vivo Novorizontino elimina o Santos no Paulistão com gol no final João Fonseca e Melo são campeões do Rio Open em jogo definido no tiebreak