Anbima prepara nova classificação para FIDCs e regulação para custódia de criptos

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A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) prepara nos próximos meses uma nova classificação para os fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs, que compram recebíveis de empresas como duplicatas, faturas de cartões de crédito e crédito consignado. Segundo José Carlos Doherty, diretor-executivo da Anbima, a ideia é deixar mais claras as estratégias de cada tipo de fundo para o investidor acompanhar melhor seu desempenho e permitir também a melhora na fiscalização das carteiras. A nova classificação também possibilitará ao investidor entender melhor que tipo de recebível ele está comprando via FIDCs e avaliar seu risco de crédito. Hoje há diversas estratégias de FIDCs que não são claramente diferenciadas pelas categorias atuais.Leia também: Fundos de recebíveis começam ano com forte procura. Especialistas explicam motivosA nova classificação chega no momento que os FIDCs passam por um período de forte expansão, com o aumento da procura por investimentos em crédito privado. Como as debêntures incentivadas, e mesmo as tributadas, oferecendo rentabilidade pouco atrativa diante da queda dos prêmios, o crédito securitizado passou a ser uma opção para os investidores e mesmo para grandes gestoras. Neste início de ano, as ofertas de FIDCs somaram R$ 7 bilhões apenas em janeiro, volume recorde para o mês, e 98,6% acima do valor registrado no mesmo período de 2025. Já as debêntures somaram R$ 26,9 bilhões, 5,8% menos que em janeiro de 2025.Os FIDCs têm a vantagem de não estarem sujeitos ao come-cotas, o imposto antecipado cobrado a cada seis meses sobre os fundos de renda fixa e multimercados. Também possuem uma volatilidade menor, por estarem mais ligados ao ciclo econômico, o que é interessante em um ano eleitoral e de maior instabilidade nos mercados em geral.Leia também: Patrimônio dos FIDCs alcança nível histórico; expectativa é por mais expansão em 2026Os fundos de recebíveis possuem características próprias que dificultam o acompanhamento, com vários tipos de cotas, prazos e amortizações e tipos diferentes de recebíveis. Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, empresa de inteligência de mercado especializada em dados de FIDCs, CRIs, CRAs e fundos imobiliários, levanta algumas sugestões que aumentariam a transparência dessas carteiras.A primeira sugestão seria a identificação completa dos diferentes tipos de cotas, que deveriam ser identificadas pelo código de negociação, código ISIN e código de subclasse da Comissão de Valores Mobiliários. Também é essencial informar os referenciais, os prazos de vencimento de cada classe ou série e outras características. A carteira deveria também dar maior transparência para o lastro dos recebíveis, identificando explicitamente os cedentes e devedores e permitindo a análise do risco de crédito real. Também seria importante ter a apuração e divulgação diária do valor da cota, assim como emissões, amortizações e resgates.Custódia de moedas digitaisA Anbima começa também nos próximos meses a discutir um código de autorregulação para a atividade de custódia de moedas digitais. Segundo José Carlos Doherty, a proposta é definir as regras básicas para empresas que querem trabalhar com a guarda de Bitcoin e outras criptomoedas, o que deve facilitar o uso desses ativos em fundos de investimento. Hoje, não há uma regulação clara para esse tipo de atividade, o que abre espaço para riscos e falta de segurança dos investidores que desejam aplicar nesses ativos. Com a autorregulação, haverá mais segurança da guarda das moedas e nas transações entre investidores e fundos.Recentemente, os investimentos em criptomoedas voltaram a chamar a atenção com a forte queda do Bitcoin, que arrastou junto as demais moedas digitais. O Bitcoin saiu da máxima histórica em 6 de outubro de US$ 126.279,63 para a mínima de US$ 60.062,00 em 6 de fevereiro. Hoje, a moeda é negociada a US$ 67.480,00. No Brasil, a presença dos Bitcoins no mercado de fundos é discreta, restrita a algumas carteiras de gestores especializados e ETFs, fundos com cotas negociadas em bolsa. No ano passado, durante a forte alta do Bitcoin após a posse do presidente Donald Trump, que estimulou o uso da moeda, alguns gestores de fundos multimercados chegaram a incluí-la em suas carteiras, caso do Verde, mas por poucos meses.The post Anbima prepara nova classificação para FIDCs e regulação para custódia de criptos appeared first on InfoMoney.