Acabei de ler um livro a que já aludi neste sítio: Breakneck, de Dan Wang. Ainda não está traduzido. Trata-se de uma reflexão sobre os dois superpoderes: o incumbente (EUA) e o emergente (RPC). A tese do autor, canadiano que viveu em ambos os países, é que os EUA perdem vigor como sociedade lawyerly, das leis como fins em si, e a China ganha protagonismo como uma sociedade de engenheiros que fazem coisas.É claro que a luta dos superpoderes tem muitos cambiantes mas aqui interessa-me uma questão: e Portugal? Seremos mais uma sociedade de fazedores ou de desfazedores? Portugal melhorou em muita coisa mas as chamadas obras de Santra Engrácia são tão presentes que até merecem um epíteto para lá daquele edifício propriamente dito. Fazer coisas (o aeroporto de Lisboa, habitação, a rede ferroviária de alta velocidade) demora muito tempo, como é típico nas sociedades em que a criação de obstáculos prevalece sobre a construção – em sentido lato. Num certo sentido somos um país embargado.Esta conversa vem também a propósito de um tema que tem tido algum destaque: a retirada de autonomia a quem quer fazer. Na minha escola a designação Nova School of Business and Economics é usada desde 2007, quando era Reitor António Rendas. Continuou a ser usada durante os mandatos do Reitor João Sàágua. Não tendo mudado a lei, em vez de fazer, parecemos por vezes mais interessados em não deixar fazer ou mesmo em estragar o que custou a fazer e já está feito. Como escreve no Sol Miguel Somsen, Portugal seria um ótimo local para fazer um país…PS (com a devida vénia ao Co-Pilot). O monumento conhecido como Igreja de Santa Engrácia, localizado em Lisboa começou a ser construído em 1681. Devido a diversos problemas (falta de financiamento, alterações de planos e questões políticas), a obra demorou séculos a ser concluída. Tornou-se símbolo de uma obra interminável. Finalmente acabada em 1966, passou a ser o Panteão Nacional. A expressão “obras de Santa Engrácia” passou a ser usada para referir uma qualquer tarefa que parece não ter fim.O conteúdo Fazedores e desfazedores aparece primeiro em Revista Líder.