O governo federal conseguiu inserir em mais um documento oficial sua estratégia de agregação de valor no setor mineral e de maior protagonismo nas cadeias produtivas globais.Na avaliação de integrantes da indústria mineral que acompanham as negociações com governos estrangeiros, a menção aos minerais críticos no acordo com a Coreia do Sul também tem caráter político e diplomático e serve para sinalizar a posição brasileira às grandes potências. Leia Mais Com US$ 1,1 bi, gaúcho se torna novo bilionário em NY; saiba quem é Azul mira “crescimento responsável” e descarta M&As após Chapter 11 Análise: Brasil será maior beneficiado com nova tarifa de 15% dos EUA O Brasil assinou, nesta segunda-feira (23), um acordo amplo de cooperação em comércio e integração produtiva com a Coreia do Sul, no qual os minerais críticos receberam destaque.Embora não seja um memorando específico para o setor mineral, como os firmados recentemente com Índia e Arábia Saudita, o acordo inclui os minerais em um contexto de agregação de valor e integração de cadeias produtivas tecnológicas avançadas.O documento menciona explicitamente os minerais críticos em diferentes trechos, com foco na integração industrial e no fortalecimento das cadeias produtivas.Na prática, esse tipo de cooperação pode envolver desde projetos conjuntos de exploração e processamento mineral até iniciativas de refino químico, desenvolvimento tecnológico e fornecimento de insumos para setores industriais como baterias, eletrônicos e veículos elétricos.A Coreia do Sul é um dos principais polos industriais nessas áreas e depende fortemente de importações de minerais estratégicos, grande parte deles produzidos na China.Internamente, integrantes do governo reconhecem que avançar para as etapas mais complexas da cadeia, como a fabricação de ímãs permanentes, ainda é um objetivo distante. Essas fases exigem tecnologia avançada, escala industrial e investimentos bilionários.Ainda assim, há espaço para que o país avance em etapas intermediárias, especialmente no refino químico e na separação dos elementos individuais de terras raras, processos que transformam o minério extraído em produtos industriais de maior valor agregado.Estratégia do governoA estratégia do governo brasileiro tem sido buscar aproximação com países emergentes que possuem tecnologia avançada ou capacidade industrial relevante para sinalizar às grandes potências que o país pretende avançar em etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva e reduzir a dependência da exportação de matéria-prima bruta.Na avaliação do setor produtivo, o governo federal tem usado os minerais críticos como instrumento político e diplomático e aproveitado agendas na Ásia para sinalizar posições às grandes potências.A leitura é que essas iniciativas funcionam como recados indiretos a Estados Unidos, Europa e China, indicando que o Brasil pretende ampliar seu papel nas fases mais lucrativas da indústria mineral.Essa aproximação também é vista como forma de reforçar o poder de negociação brasileiro com as grandes economias que concentram tecnologia e capital.O governo mantém conversas com esses países e tem elevado o nível de exigência nas negociações, com foco em transferência de tecnologia e instalação de etapas industriais no Brasil.