Estímulo elétrico craniano: entenda o tratamento de Bolsonaro para soluços

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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, 70, solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para que ele realize sessões de neuromodulação por estímulo elétrico craniano (CES) dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena.O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal, na sexta-feira (20) e prevê a realização do tratamento três vezes por semana por um psicólogo e neurocientista.Segundo os advogados, o procedimento já teria sido iniciado durante uma internação em abril de 2025 e apresentou melhora em sintomas como insônia, ansiedade, depressão e crises de soluços persistentes. Leia Mais Bolsonaro pede ao STF tratamento com psicólogo na prisão PGR se manifesta contra prisão domiciliar de Bolsonaro PF menciona obesidade clínica e pede mudança no estilo de vida de Bolsonaro O que é o estímulo elétrico craniano?O estímulo elétrico craniano, também conhecido pela sigla CES, é uma técnica de neuromodulação que utiliza microcorrentes elétricas de baixa intensidade para estimular o cérebro. O procedimento é não invasivo, indolor e geralmente realizado com pequenos clipes colocados nas orelhas.O objetivo é regular a atividade cerebral e restaurar o equilíbrio de circuitos responsáveis por funções como humor, sono e controle do sistema nervoso.Diferentemente dos medicamentos, que atuam de forma sistêmica em todo o organismo, a neuromodulação age diretamente nos padrões elétricos do cérebro, ajudando a reorganizar a comunicação entre as células nervosas.O médico Fábio Bechelli, secretário da Sociedade Científica Internacional de Otimização Neuropsicofísica e membro Brazil Health, explicou, em artigo para a CNN, que o método pode influenciar neurotransmissores como serotonina e dopamina, substâncias diretamente ligadas à regulação do humor, da ansiedade e do sono.Estudo brasileiro mostrou melhora significativa em pacientes com depressãoPesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) conduziram um estudo clínico com pacientes diagnosticados com depressão que não apresentavam melhora com tratamentos convencionais.O objetivo era avaliar se a estimulação cerebral poderia reativar áreas do cérebro com funcionamento reduzido, condição frequentemente associada à depressão.No estudo, os participantes receberam sessões de estimulação cerebral rápida, conhecidas como theta-burst, realizadas três vezes ao dia durante três semanas. Cada sessão durava cerca de seis minutos, com intervalos entre elas.Esse tipo de estimulação atua reorganizando os circuitos cerebrais responsáveis pela regulação do humor.Os resultados mostraram que:52% dos pacientes que receberam o tratamento tiveram melhora significativa dos sintomas;No grupo que recebeu tratamento simulado, a melhora foi de 22%.O estudo foi conduzido com alto rigor científico, com método randomizado, controlado e triplo cego, considerado padrão ouro em pesquisas clínicas.Os pesquisadores concluíram que a neuromodulação pode ser uma alternativa eficaz como complemento no tratamento da depressão, especialmente em casos resistentes à medicação.Técnica também tem sido estudada para melhorar a insôniaA neuromodulação também vem sendo estudada como alternativa complementar no tratamento da insônia, distúrbio que afeta diretamente o funcionamento do cérebro.Em um estudo clínico publicado no Journal of Sleep Research em 2023, realizado com adultos que apresentavam sintomas de insônia, os participantes utilizaram um dispositivo de estimulação elétrica craniana por 30 minutos, duas vezes por dia, durante duas semanas.Os pesquisadores avaliaram diversos fatores, incluindo qualidade do sono, sintomas emocionais e atividade cerebral.Os resultados mostraram que os participantes que utilizaram o dispositivo ativo apresentaram:Redução significativa de sintomas depressivos;Melhora no bem-estar físico;Alterações positivas na atividade cerebral.Essas mudanças indicam que a técnica pode ajudar a regular os padrões cerebrais associados ao sono e ao relaxamento.Neuromodulação também pode ajudar em casos de soluços persistentesO soluço é causado por contrações involuntárias do diafragma, controladas pelo sistema nervoso. Na maioria das vezes, desaparece espontaneamente. No entanto, quando dura mais de 48 horas, pode se tornar persistente e afetar a qualidade de vida.Casos mais graves podem causar:Distúrbios do sono;Perda de peso;Fadiga;Estresse psicológico.O tratamento geralmente envolve medicamentos que atuam no sistema nervoso. No entanto, nem todos os pacientes respondem bem a essas terapias.Por isso, técnicas que estimulam diretamente o sistema nervoso, como a neuromodulação, passaram a ser estudadas como alternativa. Estudos de caso indicam que a estimulação neural pode ajudar a regular os sinais nervosos responsáveis pelas contrações involuntárias, reduzindo a frequência e a intensidade dos soluços, especialmente em casos resistentes.Tratamento é considerado complementar e deve ter acompanhamento médicoA neuromodulação não substitui tratamentos tradicionais, mas pode ser utilizada como complemento, especialmente em casos em que os sintomas persistem mesmo com o uso de medicamentos.Entre os principais benefícios observados em estudos estão:Melhora da qualidade do sono;Redução da ansiedade;Alívio de sintomas depressivos;Regulação da atividade cerebral.Como é um procedimento não invasivo e apresenta baixo risco de efeitos colaterais, a técnica tem sido cada vez mais utilizada em neurologia e psiquiatria.No caso de Bolsonaro, a defesa argumenta que a continuidade das sessões pode contribuir para o controle de sintomas neurológicos e melhorar sua qualidade de vida, especialmente diante do histórico recente de alterações neurológicas. Porém, o pedido ainda depende de autorização judicial.Médico do Bolsonaro: Exames confirmam traumatismo craniano leve | CNN 360°