Após alguns anos de expectativa elevada e performance ruim em comparação aos demais ativos do mercado doméstico, as Notas do Tesouro Nacional Série-B (NTN-Bs) seguem no radar de agentes financeiros que, na iminência dos cortes de juros pelo Banco Central, apostam que os títulos do governo podem voltar a ter retornos atraentes e acima do CDI. É o caso da equipe de estratégia macro do BTG Pactual, que, nos últimos dias, elencou uma série de motivos para justificar uma alocação maior em NTN-Bs de vencimentos longos.Segundo o estrategista Álvaro Frasson, os juros reais no Brasil são mais elevados do que nas economias pares e há uma assimetria entre seu nível e o risco de default do país. “Ao regredir o spread de juros reais de longo prazo pelos respectivos riscos de crédito soberano, vemos que o Brasil apresenta um importante descolamento em comparação a uma cesta de economias emergentes. Dado o atual nível do CDS [credit default swap, uma medida do risco de calote], o juro real de longo prazo brasileiro poderia ser significativamente menor”, afirma.Dívida em trajetória insustentávelOutro argumento é que, caso as taxas de juros reais de longo prazo sejam mantidas constantes por um período longo, a dívida do Brasil assumiria uma trajetória insustentável rapidamente. “Se estimarmos uma trajetória usando apenas o atual juro real constante ao longo do tempo — e considerando crescimento do PIB potencial e atingimento das metas primárias —, a dívida/PIB alcança 100% em menos de 5 anos”, nota.Não à toa, nota Frasson, o prêmio de risco dos títulos públicos atrelados à inflação está em níveis bastante elevados e compatíveis com a crise econômica atravessada entre 2015 e 2016. E, mesmo fazendo ajustes para incorporar o aumento nos juros reais dos Estados Unidos, a métrica de prêmio de risco de longo prazo no Brasil ainda está um desvio padrão acima de sua média histórica, patamar que alcançou no auge da pandemia e durante o governo Dilma.À espera dos cortes de jurosDo ponto de vista da política monetária, segundo Frasson, o início do ciclo de cortes de juros no Brasil também deve contribuir para uma redução nos prêmios dos juros reais de longo prazo.Assim, caso ocorra um pequeno fechamento na taxa dos juros reais longos, o retorno dos títulos já deve superar o do CDI. Nos cálculos do BTG, ao assumir uma inflação de 4% e um recuo de 0,5 ponto percentual na taxa do juro real longo, o retorno do título pode se aproximar dos 16% ao ano.“Considerando uma Selic média de 13,5% nos próximos 12 meses, atualmente o carrego do IPCA de 4% + 7,5% de juros reais não superam o CDI. Contudo, um pequeno fechamento no juro real longo (“duration” próxima de 10 anos), para 7,0%, por exemplo, supera o retorno esperado do CDI mesmo se o IPCA reancorar para a meta de inflação de 3%. No cenário mais otimista, onde o juro real se aproxima dos níveis neutros em razão de uma mudança de postura fiscal, os retornos na NTN-B mais longas serão significativamente expressivos”, afirma Frasson.Aposta no longo prazoNa visão do BTG, os vencimentos entre 2035 e 2050 apresentam o melhor retorno ao risco ajustado neste momento. “Ainda que a relação esteja invertida, ou seja, onde títulos mais longos (mais volatilidade) estão pagando taxas de juros reais menores que os vencimentos mais curtos, entendemos que aplicar em vértices longos, sobretudo antes do ciclo de corte de juros e de um ambiente político que demandará narrativas fiscais prospectivas mais responsáveis, pode trazer retornos expressivos via ganhos de marcação a mercado com o fechamento dos prêmios mais longos”, conclui.The post Hora das NTN-Bs de vencimento longo chegou, diz BTG Pactual appeared first on InfoMoney.