Por que cientistas pedem cautela no uso da polilaminina agora?

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Entidades científicas têm pedido cautela sobre o uso da polilaminina, substância em fase de testes para tratar lesões na medula. Descoberta em experimentos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina ainda faz parte de uma pesquisa experimental e não tem prova de que funciona ou que é segura para seres humanos. O alerta surgiu porque o tema (e o estudo) ganhou muita repercussão na internet e na imprensa. E pessoas começaram a entrar na Justiça para tentar o tratamento antes do fim dos estudos.Grupos como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) dizem que não se pode confundir descoberta de laboratório com remédio pronto para uso. A Academia Brasileira de Neurologia reforça que ainda não existem estudos científicos publicados que garantam que a substância ajude pacientes. Para esses especialistas, dúvidas técnicas devem ser resolvidas entre cientistas, não em tribunais ou por meio de exposição na mídia.Regras de pesquisa e ordens da Justiça criam impasse sobre tratamento com polilamininaMédicos de neurologia e neurocirurgia explicam que tratar a coluna é algo muito complexo e exige provas reais. Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) só liberou a fase 1 dos testes, que serve apenas para ver se a substância não faz mal à saúde de quem a recebe. Isso não quer dizer que o tratamento cure alguém ou que já possa ser usado normalmente em hospitais. Por isso, entidades frisam que a polilaminina deve ser usada apenas dentro de estudos oficiais.Enquanto a pesquisadora Tatiana Sampaio diz que o país perdeu direitos da descoberta por falta de verba na UFRJ, a empresa Cristália afirma que a proteção da patente é sua e vale até 2043 (Imagem: Cristália)A história da polilaminina também lançou luz na forma como o Brasil lida com invenções e patentes. Enquanto a pesquisadora Tatiana Sampaio diz que o país perdeu direitos da descoberta por falta de verba na UFRJ, a empresa Cristália afirma que a proteção da patente é sua e vale até 2043. Toda essa briga saiu dos laboratórios e foi parar no público, criando esperança grande antes mesmo de a ciência confirmar se a ideia realmente funciona.Um teste inicial com oito pacientes mostrou que seis melhoraram, mas esses números ainda não foram conferidos por pares (outros cientistas independentes). Especialistas lembram que até 30% das pessoas com lesão recente podem recuperar movimentos sozinhas, sem nenhum remédio novo. Sem um acompanhamento rigoroso feito por pesquisadores, relatos de melhora na internet não servem como prova final de eficácia. Para a ciência, o importante agora é ter transparência em cada passo.Muitas pessoas estão conseguindo a aplicação da substância por meio da Justiça, mas fora de uma pesquisa controlada. Cientistas temem que isso coloque a segurança dos pacientes em risco e atrapalhe a organização dos estudos no país. Eles defendem que é preciso unir mais universidades e hospitais para que descobertas cheguem aos pacientes de forma correta. O grande desafio agora é equilibrar a vontade de cura de quem sofre com o rigor técnico necessário.(Essa matéria usou informações de Estadão, Folha de S. Paulo e Metrópoles.)O post Por que cientistas pedem cautela no uso da polilaminina agora? apareceu primeiro em Olhar Digital.