Motivada pela disputa eleitoral, a janela partidária terminou na última sexta-feira (3) com saldo de mais de 20% de trocas na Câmara dos Deputados. O número tende a ser ainda maior após a consolidação formal das movimentações partidárias realizadas.Levantamento da CNN contabilizou ao menos 119 movimentações partidárias de deputados titulares. O cálculo teve como base dados da Câmara, informes partidários e anúncios em redes sociais divulgados até sábado (4).Maior partido da Casa, a bancada do PL saiu fortalecida chegando a 100 integrantes. A legenda foi uma das que mais conquistou novas filiações e recuperou perdas registradas aos longo dos últimos anos. A sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro elegeu 99 deputados em 2022, mas contava com 87 integrantes antes do período de trocas.O União Brasil foi a bancada que mais perdeu nomes – 28, no total –, mas conseguiu equilibrar as perdas com 21 novas adesões. A sigla tem agora 51 integrantes, sete a menos do que no período pré-janela, mas ainda segue como o terceiro maior partido da Casa. Leia Mais: Fundo Partidário: entenda como R$ 1,2 bi foi distribuídos em 2025 Marina decide ficar na Rede enquanto avalia tentar Senado Ao menos nove governadores já deixaram cargos para disputar eleições Legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT teve ao menos uma baixa, a deputada Luizianne Lins (CE), que a deixou a sigla após 37 anos para se filiar à Rede. A bancada petista se mantém como o segundo maior partido da Câmara, com 66 integrantes.As mudanças também deram fôlego para o PSDB, que registrou 11 entradas e sete saídas chegando a 19 integrantes na Câmara. Já o PDT, proporcionalmente, foi uma das siglas com saldo mais negativo. O partido filiou apenas um deputado e perdeu outros oito.Partidos como PP, PSD e Republicanos registraram números semelhantes de saídas e novas filiações. Veja a estimativa de ganhos e perdas de cada sigla:União Brasil: 28 saídas e 21 adesões;Republicanos: 15 saídas e 15 adesões;PSD: 13 saídas e 9 adesões;MDB: 13 saídas e 7 adesões;PP: 9 saídas e 6 adesões;PL: 7 saídas e 20 adesões;PDT: 8 saídas e uma adesão;PSDB: 7 saídas e 11 adesões;PSB: 5 saídas e 6 adesões;Avante: 4 saídas e uma adesão;PRD: 3 saídas e 1 adesão;Podemos: duas saídas e 13 adesões;Solidariedade: duas saídas e duas adesões;Rede: uma saída e duas adesões;PT: uma saída e 0 adesões;Cidadania: uma saída e 0 adesões;MISSÃO: 0 saídas e uma adesão;PC do B: 0 saídas e uma adesão;PSOL: 0 saídas e uma adesão;PV: 0 saídas e uma adesão.A janela partidária tem duração de 30 dias e neste ano começou em 5 de março. Previsto na legislação eleitoral, o período existe para que deputados federais, estaduais e distritais possam mudar de sigla sem sofrer punições.O princípio da fidelidade partidária prevê que o mandato de deputados e vereadores pertence ao partido, e não ao candidato eleito. Por isso, a janela partidária para esses cargos é aberta somente em anos eleitorais e seis meses antes das eleições.Após o período de trocas, o próximo passo de articulações envolve as convenções partidárias, em que os candidatos devem ser escolhidos. Em 2026, os brasileiros irão às urnas para o primeiro turno das eleições em 4 de outubro.Mudanças no SenadoPara quem ocupa cargos majoritários, em que são eleitos os mais votados – independentemente das votações recebidas pelos partidos –, a janela não é necessária para migrações partidárias.É o caso de prefeitos, governadores, senadores e o presidente da República, que podem mudar de legenda a qualquer momento, desde que respeitado o prazo mínimo de seis meses de filiação antes da data da eleição. Por esse motivo, a corrida eleitoral também motivou trocas partidárias no Senado ao longo do último mês.O PSD perdeu três integrantes: Rodrigo Pacheco, cotado para a disputa do governo de Minas Gerais, deixou a legenda para se filiar ao PSB. Aliada do governo, a senadora Eliziane Gama (MA) anunciou a saída do PSD e a filiação ao PT.O senador Angelo Coronel (BA), que mira a reeleição, também migrou de partido para o Republicanos. O PSD, no entanto, ganhou novo integrante com a filiação de Carlos Viana (MG), vindo do Podemos.O PL ganhou dois novos nomes com duas novas adesões de senadores que eram do União Brasil: Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB). O partido, no entanto, perdeu uma integrante com a saída da senadora Dra. Eudócia Caldas (AL) que foi para o PSDB.Fase final da janela partidária consolida tamanho do PL e perdas no União | LIVE CNN