‘Falsas democracias’ e democracias falsas

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Esta correspondência, popular entre grupos anticapitalistas e anti-ocidentalistas, estabelece uma falsa equivalência entre democracias, por muito imperfeitas e mesmo exasperantes que possam ser (como os EUA de Trump) e regimes autocráticos. Hinckell leva o seu raciocínio mais longe: «Mas afirmar que o Ocidente é democrático e que a China não é uma democracia é propaganda. Contrariamente ao que muitas pessoas imaginam, a China tem eleições.» Mas, pergunta o entrevistador, a China tem apenas um partido. «Isso é coerente com as teorias da democracia socialista. A ideia central é a de que não faz sentido haver um partido de interesses capitalistas, porque representaria os interesses de uma minoria, não da maioria.» Mao não diria melhor.Ora, como explicou também no Público António Barreto, uma das vozes sábias da nossa sociedade, «muitos que vivem em democracia ficam complacentes com todas as formas de antidemocracia que vigoram. Olham para questões de género, de raça, de cultura, de nacionalidade, e de etnia seja com desprezo reacionário, seja com indulgência covarde». Não defendemos as nossas democracias com desprezo reacionário nem com indulgência covarde. Remato com Barreto: «Considerar que o império chinês é democrático é estrabismo mental». Na mosca.P.S. Vi há dias (Now, sábado 28 de março, pelas 20h) a mais cruel imagem da guerra da Ucrânia. Um soldado russo de cócoras e com os braços a cobrir a cabeça preparava-se para ser abatido por um drone algures numa floresta. Putin mandou para a morte milhares de jovens. O capricho de um ditador significou uma sentença de morte para um incontável número de inocentes.O conteúdo ‘Falsas democracias’ e democracias falsas aparece primeiro em Revista Líder.