Quarenta e cinco dias após a aprovação da lei de anistia na Venezuela, familiares de detentos encerraram a Semana Santa com novas vigílias em frente às prisões onde, segundo organizações de direitos humanos, centenas de presos políticos permanecem atrás das grades aguardando os benefícios do projeto promovido pelo próprio regime chavista.As autoridades relataram que, desde a aprovação do projeto, mais de 250 pessoas foram libertadas e quase 8 mil recuperaram sua plena liberdade. Embora não estivessem mais na prisão, ainda estavam sujeitos a medidas cautelares, como proibições de viagem ou comparecimentos periódicos ao tribunal.Mas o processo desacelerou nas últimas semanas, de acordo com organizações como o Foro Penal e a ONG JEP (Justiça, Encontro e Perdão). Leia mais Cuba libertará mais de 2.000 prisioneiros, diz governo EUA suspendem sanções impostas a Delcy Rodríguez em 2018 Trump sobre petróleo do Irã: “Ao vencedor, os frutos da vitória” Apesar das reivindicações dos ativistas, o governo nunca publicou uma lista oficial de detidos, portanto, o acompanhamento dos números e dos casos pendentes depende do monitoramento independente realizado por organizações da sociedade civil.Dados de ONGsO Foro Penal informou no final de março que 503 presos políticos permanecem encarcerados e, em muitos casos, não têm permissão para nomear advogados de sua escolha.Entretanto, a JEP (Jurisdição Especial para a Paz) também contabilizou 679 pessoas detidas por motivos políticos no final de março.“Apesar dos anúncios oficiais e das medidas recentes, não houve mudanças substanciais na situação. Nos últimos 11 dias, desde nossa última avaliação, apenas 10 pessoas foram libertadas, o que reflete um ritmo extremamente lento dada a magnitude do problema”, declarou a JEP em comunicado à imprensa.O grupo afirmou que as libertações são “isoladas e arbitrárias, sem responder a uma política estrutural voltada à garantia de direitos” e, portanto, denunciou que “a privação de liberdade por motivos políticos continua sendo usada como mecanismo de controle”.Nesse contexto, a JEP apelou ao governo para conceder um indulto processual como uma via constitucional “mais célere” e não sujeita a atrasos judiciais.Líderes sindicais que convocam uma marcha para esta quinta-feira (9) também denunciaram que alguns representantes sindicais não foram incluídos na anistia.A CNN contatou o governo venezuelano a respeito das alegações das ONGs e aguarda uma resposta.O presidente da comissão legislativa encarregada de monitorar a lei, o deputado Jorge Arreaza, afirmou em entrevista à Telesur em 28 de março que recebeu 13.685 solicitações, embora algumas fossem duplicadas, e que 11.401 pessoas foram identificadas.O deputado não explicou por que mais de 3 mil solicitações foram rejeitadas ou ainda estão pendentes. Ele disse que, nesta nova fase, as correções necessárias serão feitas.“(Precisamos) entender que temos que nos unir. A unidade da Revolução Bolivariana é um princípio fundamental para nós”, afirmou.A comissão foi criada por sugestão da sociedade civil durante o debate sobre o projeto de lei, mas o processo de verificação não foi vinculado a instituições como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a Cruz Vermelha, a Igreja, comitês de vítimas e outras organizações da sociedade civil.Enquanto isso, as famílias continuam seus protestos.Na sexta-feira (3), realizaram uma Via Sacra por sete igrejas da capital para exigir respostas das autoridades.No domingo (5), queimaram uma efígie feita de folhas e tecido como parte da tradicional queima de Judas, entoando slogans de justiça e liberdade. “Nem um, nem dois, que sejam todos!”, cantavam em frente à prisão de Helicoide.Saiba quem são os presos políticos libertados na Venezuela