Waack: Trump ameaça violência máxima para dobrar o Irã

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Geografia é destino. Essa é uma das frases mais velhas quando se fala de relações internacionais.Ou, traduzido para a linguagem de corretores de imóveis, linguagem que Donald Trump talvez entenda, o mais importante é location, location, location, a localização do imóvel. A localização geográfica do Irã concede ao país o controle de um dos mais importantes pontos de estrangulamento da economia mundial: o Estreito de Ormuz. E a não ser que Trump faça o Irã deixar de existir, o país continua lá, fechando o tal do estreito sem ter que afundar um só navio que passe por ali. O problema grave para Trump é o seguinte: antes dele começar essa guerra – que escolheu começar e achava que ia liquidar rapidinho a fatura – o arranjo naquela parte do mundo funcionava com os produtores de petróleo exportando por ali, pelo tal estreito. Os mercados faziam o preço e os Estados Unidos protegiam essa rota.  Leia mais: Autoridade do Irã diz que ignorar Trump não é a resposta adequada Professor: "Muito difícil" sair um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz Trump ameaça prender repórter por vazamentos sobre resgate de militares É isso que acabou – um pilar da ordem regional e internacional que Trump derrubou provavelmente sem pensar no que fazia nem no que provocaria. Hoje, o Irã tem mais força geopolítica do que no início da guerra.Mas os Estados Unidos não tem condições militares de destruir o Irã? Sem dúvida alguma. Não tem força militar para invadir e ocupar partes do território do Irã? Também, mas, para manter o estreito aberto e funcionando, terão de ficar por lá. Como e por quanto tempo neste momento, ninguém sabe.Trump talvez não saiba que destruir um país não é a mesma coisa que demolir um imóvel e erguer outro no mesmo terreno. O Irã era só um problema difícil. Agora virou um terrível dilema estratégico.