Na missão lunar da Nasa, o maior problema tem sido… o banheiro

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À medida que os astronautas da missão Artemis II da Nasa seguem rumo à Lua neste fim de semana, o voo de teste tem ocorrido surpreendentemente bem, sem grandes problemas — exceto por um equipamento que tem dado dor de cabeça à tripulação: o banheiro.A cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin e responsável por levar a tripulação da Artemis II à Lua, está equipada com o chamado Universal Waste Management System (UWMS), o sistema universal de gerenciamento de resíduos que os astronautas usam durante a missão de 10 dias. É basicamente o mesmo “banheiro espacial” utilizado na Estação Espacial Internacional (ISS).Leia tambémArtemis II: NASA divulga imagens inéditas da viagem rumo à Lua; VEJA AS FOTOSRegistros mostram a Terra, a Lua e o interior da Orion nos primeiros dias da missãoAstronautas a caminho da Lua estão ‘na metade do caminho’, diz NasaO comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas em missão Christina Koch e Jeremy Hansen decolaram rumo ao satélite natural da Terra na última quartaMas fazer esse equipamento complexo funcionar corretamente em voo tem se mostrado um desafio.O UWMS conta com um funil e uma mangueira para urina, além de um assento com um buraco para as necessidades sólidas. Como os astronautas estão em microgravidade, o banheiro depende de fluxo de ar para puxar os resíduos para dentro do sistema e garantir que a cápsula permaneça limpa. A tripulação também pode usar tiras para prender os pés e apoios para as mãos para se manter na posição.No primeiro dia de voo da Artemis II, logo depois de a tripulação chegar ao espaço, o banheiro acusou um problema. A especialista de missão Christina Koch, que brincou ao se autointitular “encanadora espacial”, conseguiu colocar o sistema de volta em operação com ajuda do Controle da Missão.O problema, descobriu-se, estava na bomba do banheiro, que precisava de mais água para ficar úmida o suficiente e “preparada” para funcionar.“Depois que percebemos que não tínhamos colocado água suficiente, colocamos mais, garantimos que ele estivesse essencialmente preparado – que a bomba estivesse preparada – e então o banheiro voltou a funcionar”, explicou Judd Frieling, diretor de voo de ascensão da Artemis II.Mas não tão rápido.O banheiro voltou a apresentar problemas. Diferentemente da Estação Espacial Internacional, onde o esgoto é contido, tratado e reciclado em um sistema de circuito fechado, na missão Artemis II a água residual é periodicamente descartada no espaço ao longo da viagem. Durante essas liberações, partículas brilhantes podem ser vistas passando pelas janelas da Orion, como mostram vídeos feitos pela tripulação.Em uma dessas descargas, o processo foi interrompido antes do previsto. A Nasa suspeitou que o acúmulo de gelo pudesse estar bloqueando o bocal de ventilação que permite a saída do esgoto para o espaço.Enquanto investigava o problema, a agência decidiu que, por segurança, a tripulação deveria parar de usar o banheiro para urinar.“Cópia, estamos em ‘no go’ para o banheiro”, confirmou Koch em determinado momento.O problema é que há pouco espaço disponível para armazenar urina.“O tanque de urina da cápsula tem mais ou menos o tamanho de uma pequena lixeira de escritório”, disse Debbie Korth, vice-gerente do programa Orion da Nasa, em entrevista coletiva. “Então precisamos garantir que conseguimos esvaziá-lo antes de colocar mais qualquer coisa lá.”A tripulação, no entanto, continuou autorizada a usar o banheiro para necessidades sólidas, já que esse tipo de resíduo é coletado em sacos à prova d’água. Como alternativa para a urina, os astronautas podem utilizar os chamados Collapsible Contingency Urinals (CCUs), recipientes cilíndricos e dobráveis projetados para controlar o fluxo de líquidos.“Somos capazes de fazer coisas extraordinárias no espaço hoje, mas acertar essa capacidade [do banheiro] é algo em que claramente ainda precisamos trabalhar”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, no programa State of the Union, da CNN, no domingo.Raios solaresProblemas com gelo em banheiros espaciais não são novidade.Em 1984, a tripulação da missão STS-41-D do ônibus espacial teve de recorrer a sacos de emergência depois que o banheiro falhou. O vilão, naquele caso, também foi o acúmulo de gelo que se projetava a partir do duto de ventilação do banheiro. Os astronautas conseguiram remover o gelo usando o braço robótico do Shuttle para desprendê-lo, mas isso não os livrou de usar sacos durante boa parte da missão.Para resolver o problema na Artemis II, a Nasa decidiu “esquentar” a situação. A agência posicionou a Orion de modo que o duto de ventilação do banheiro ficasse “assando” ao sol por algumas horas, derretendo o gelo. A estratégia pareceu funcionar. A tripulação realizou algumas descargas de teste; em uma delas, o fluxo começou limitado.Finalmente, no fim do sábado, veio a boa notícia do Controle da Missão.“Notícia de última hora”, disse um comunicador do Centro Espacial Johnson da Nasa à tripulação. “Temos um resultado das discussões aqui embaixo sobre a ventilação do tanque e, neste momento, vocês estão ‘go’ para todos os tipos de uso do banheiro.”© 2026 Bloomberg L.P.The post Na missão lunar da Nasa, o maior problema tem sido… o banheiro appeared first on InfoMoney.