Crítica: No início do fim, The Boys chega mais sombria e realista que nunca

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É comum que uma série comece sua narrativa em um ponto mais neutro da história para que uma complicação seja desenvolvida e, eventualmente, abra caminho para um clímax intenso. The Boys nunca jogou por essa regra e isso permanece intacto. A 5ª e última temporada da série satírica do Prime Video começa com os dois pés na porta — como já era de se esperar.Se você passou os últimos dois anos aguardando pela continuação da história entre Homelander e Butcher, além de muitos outros personagens centrais, a espera está quase no fim. A nova temporada estreia nesta quarta-feira (8), mas o Minha Série já pode te dizer o que achou dos 2 primeiros episódios. Confira abaixo a crítica sem spoilers do começo do fim de The Boys.O tom mudou, ainda que com humorA temporada 5 de The Boys chega com um tom mais sério, na medida do possível.Por se tratar de uma sátira, é comum colocarmos o humor como a primeira característica a ser lembrada em The Boys. A série é composta por absurdo atrás de absurdo e não existe um episódio sem algum acontecimento chocante. Essa identidade continua muito presente na 5ª temporada, mas existe uma mudança: o tom.A temporada final da série de super-heróis esquisitos está mais sombria do que nunca. Os acontecimentos que encerraram a 4ª temporada pesam não apenas na narrativa, mas também na forma que a série se comunica. Menos risadas, mais conversas sérias e mais desconfiança permeiam os dois primeiros episódios.Em um momento em que Hollywood sobrevive da nostalgia, The Boys é um respiro de ar fresco Parte dessa mudança também pode ser explicada pelo contraste com Gen V, spin-off ambientado em uma universidade de “supes”. Mesmo contendo muita violência, a série ainda acaba sendo um pouco mais leve que The Boys.Uma narrativa que não deixa nada a desejarPersonagens secundários são bem desenvolvidos nos dois primeiros episódios.Apesar de chamar atenção por suas cenas grotescas e explícitas, The Boys conta com uma narrativa clara desde o princípio. O criador da série, Eric Kripke, segue equilibrando bem todos os aspectos do roteiro: até o momento ninguém foi esquecido, o desenvolvimento não foi jogado fora e a maioria dos personagens se torna até mais complexo nessa temporada.Nos dois primeiros episódios, camadas que não existiam foram adicionadas até aos personagens mais simplórios. E a melhor parte: quando você acha que sabe exatamente o que está acontecendo, a série faz questão de mostrar que você não sabe de nada. Talvez essa seja a maior graça de The Boys, você nunca sabe o que está por vir.Coincidências que desanimamA semelhança com o mundo real deixa a série mais pesada ainda.Calma. Até agora, nada na série prejudicou o entretenimento. Assistir a essa temporada de The Boys provoca sentimentos mistos. Ao mesmo tempo que é impressionante ver que os roteiristas acabaram prevendo muitas coisas que aconteceriam no mundo real, é triste lembrar que nem tudo presente na série é ficção.Kripke já falou que, para essa temporada, se inspirou em eventos que ainda não aconteceram nos Estados Unidos. Ele pesquisou a história de outros países que vinham se comportando de maneira semelhante ao país norte-americano. O problema é que, mesmo não tendo usado a história exata como base dessa vez, o mundo aqui fora parece estar se inspirando em The Boys — e não nos personagens bonzinhos.Vale a pena assistir a última temporada de The Boys?A surpresa com o absurdo continua, eles realmente são bons nisso. A série continua acertando e vocês vão ter que me perdoar pelo uso das palavras: tem tiro, porrada, bomba, sexo, daddy issues, fascismo, morte, subjetividade, indiretas bem diretas, palavrão pra c#r%#ho, genocídio e pessoas que só podem usar seus poderes peladas (um clássico desse universo). Tudo isso em dois episódios que te deixam preso na tela e tornam quase impossível não ver o restante da temporada.Em um momento em que Hollywood sobrevive da nostalgia, The Boys é um respiro de ar fresco. O mais assustador é que, infelizmente, a história é tão bem construída que o roteirista acabou prevendo acontecimentos que deveriam ser reservados apenas para a ficção. A nossa sorte é que os políticos do mundo real não possuem superpoderes.