A conclusão surge num estudo recente da Boston Consulting Group (BCG), intitulado ‘The 6G Network Is the Future of AI’, que aponta para uma transformação profunda no papel das redes móveis: de simples sistemas de comunicação para plataformas capazes de suportar aplicações intensivas em dados, sensores e inteligência artificial.Ao contrário das aplicações digitais tradicionais — sobretudo orientadas para consumo de conteúdo — os novos sistemas de IA exigem grandes volumes de dados enviados pelos dispositivos para a rede (uplink), tempos de resposta previsíveis e uma arquitetura distribuída que combina dispositivos, computação de proximidade (edge) e infraestruturas de cloud.Segundo Eduardo Bicacro, Managing Director and Partner da BCG, essa mudança altera a própria lógica de desenvolvimento das redes móveis.«Estamos a passar de redes otimizadas para consumo de conteúdo para redes desenhadas para geração contínua de dados e decisão em tempo real. As aplicações de IA exigem uplink significativo, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre dispositivo, edge e cloud — requisitos que tornam o 6G não apenas uma evolução, mas uma condição necessária para escalar a IA na sociedade e na economia.»O impacto económico do 5GA geração atual de redes móveis já abriu caminho para esta transformação. O lançamento comercial do 5G, em 2019, representou uma mudança estrutural na conectividade, ao permitir maior velocidade, menor latência e a ligação simultânea de milhões de dispositivos.De acordo com o estudo da BCG, as aplicações suportadas por 5G já geraram mais de um bilião de dólares em impacto económico global. A consultora estima que este valor poderá ultrapassar os 6 biliões de dólares até 2030 e aproximar-se dos 18 biliões até 2035.A tecnologia tem vindo a acelerar a transformação digital em vários setores — da indústria à saúde — e a impulsionar novos serviços baseados em dados e conectividade permanente. A próxima etapa: redes pensadas para IAPrevisto para surgir no final desta década, o 6G deverá introduzir melhorias significativas na capacidade de rede, na latência e na integração entre dispositivos, sensores e infraestruturas digitais.Essas características poderão suportar uma nova geração de aplicações baseadas em inteligência artificial, incluindo: automação industrial avançada e robótica colaborativa; experiências imersivas em realidade aumentada e realidade virtual; cidades inteligentes e infraestruturas urbanas conectadas; sistemas de mobilidade autónoma; monitorização remota e cuidados de saúde digitais.O relatório sublinha que nenhuma camada isolada — dispositivo, edge ou cloud — consegue suportar de forma eficiente estes sistemas. O 6G será desenhado para orquestrar dinamicamente essas camadas, equilibrando latência, capacidade e consumo energético. Decisões desta década serão determinantesApesar do potencial tecnológico, o estudo alerta que o desenvolvimento do 6G dependerá de decisões estratégicas tomadas nos próximos anos.Entre as prioridades identificadas estão o acesso ao espectro de radiofrequência necessário para novas redes, a definição de padrões tecnológicos globais, o investimento contínuo em investigação e desenvolvimento e a formação de talento especializado.À medida que a inteligência artificial evolui para sistemas contínuos e multimodais, capazes de operar em tempo real entre dispositivos, sensores e infraestruturas, a conectividade deixa de ser apenas um meio de transmissão e passa a integrar a própria arquitetura de computação.Sem estas evoluções, alertam os autores do estudo, as redes poderão enfrentar congestionamento no tráfego de dados enviados pelos dispositivos, latências inconsistentes e limitações na escalabilidade das aplicações de IA.Nesse contexto, conclui a BCG, as decisões tomadas ao longo desta década — desde o investimento em investigação até às políticas públicas de conectividade — serão determinantes para definir como a próxima geração de tecnologias digitais será desenvolvida e utilizada.O conteúdo A próxima revolução da IA poderá depender do 6G aparece primeiro em Revista Líder.