«A cultura não se impõe, constrói-se diariamente», explica Daniel Wukowitsch

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No setor automóvel, onde a mobilidade se reinventa ao ritmo da digitalização, da eletrificação e de novas exigências dos consumidores, liderar deixou de ser apenas uma questão de estratégia para ser, cada vez mais, um exercício de adaptação contínua.Daniel Wukowitsch, Managing Director da SIVA|PHS Portugal, defende que o papel do líder moderno passa por equilibrar performance e colaboração, sem perder agilidade nem foco no cliente. Num contexto marcado por incerteza geopolítica e mudança tecnológica acelerada, a confiança, transparência e capacidade de execução tornam-se fatores críticos de diferenciação.Nesta entrevista à Líder, o Diretor explica como alinhar uma organização em torno de uma visão comum, reforçando uma cultura de alto desempenho sustentada nas pessoas e onde a cooperação deixa de ser discurso para se afirmar como uma verdadeira vantagem competitiva. Em contextos de elevada mudança, o que distingue um líder eficaz de um líder mais tradicional?Um líder eficaz distingue-se pela sua capacidade de adaptação e pela forma como lidera através da confiança, transparência e proximidade. Mais do que mobilizar equipas, mostra, de forma clara, como alcançar o propósito definido.Em contextos de mudança, é essencial decidir com rapidez, encarar o erro como parte do processo de aprendizagem e antecipar tendências. Esta abordagem contrasta com modelos mais tradicionais, tipicamente mais hierárquicos, rígidos e menos ágeis. De que forma se pode aumentar a performance sem comprometer a cooperação interna numa empresa?Para o sucesso de qualquer empresa é necessária uma visão clara e um objetivo estratégico comunicado e compartilhado com toda a organização. O segredo está em alinhar performance e cooperação, promovendo uma cultura de responsabilidade coletiva suportada por métricas partilhadas.Quando as equipas percebem que o sucesso é conjunto, a colaboração deixa de ser um esforço adicional e passa a ser um acelerador natural de resultados.O que motivou a criação da estratégia LEVEL UP e que problemas veio resolver?A estratégia LEVEL UP nasce da necessidade de responder a um setor em constante transformação, marcado pela digitalização, eletrificação, novos modelos de mobilidade e por um cliente cada vez mais exigente e informado. Surge para dar resposta à necessidade de maior agilidade e para orientar toda a organização em torno de uma visão comum. Mais do que uma estratégia, é um compromisso com a evolução contínua e com a preparação para o futuro.Complementarmente, e como o próprio nome LEVEL UP indica, também queremos estar num nível superior em termos de performance de modo a nos aproximarmos, anos após ano, da nossa ambição de liderar a mobilidade em Portugal. Como é que esta estratégia se traduz, na prática, no dia a dia da SIVA|PHS?A estratégia LEVEL UP traduz-se numa maior agilidade de processos, numa integração mais eficaz entre equipas e em decisões mais informadas. No dia a dia, reflete-se numa forma de trabalho mais colaborativa entre marcas e áreas, com estruturas mais simples e um foco permanente no cliente.É visível tanto na comunicação interna como na forma como a organização se posiciona no mercado. Se a nossa ambição é liderar a mobilidade em Portugal, temos de estar orientados para uma cultura de alto desempenho onde somos impulsionados pelas pessoas, movidos pela excelência, focados no cliente e unidos num desempenho sustentável. Como garantir que a transformação não é apenas estratégica, mas também ao nível da cultura da empresa?A cultura da nossa empresa está assente em valores claros para todos os colaboradores: foco no cliente, espírito empreendedor, inovação tecnológica e, muito importante, uma cultura de união e trabalho em equipa que designamos de ONESIVA.Garantindo que todos conhecem e vivem estes valores, os mesmos vão estar refletidos nos comportamentos diários das equipas. Naturalmente que tal implica uma evolução na liderança, comunicação consistente e mecanismos concretos de reconhecimento e accountability.É essencial criar espaço para que as equipas participem ativamente na mudança, dando-lhes contexto e ferramentas. A cultura não se impõe, constrói-se diariamente. A cooperação pode ser uma vantagem competitiva real ou continua a ser, muitas vezes, apenas um discurso aspiracional?Para nós nunca é um discurso aspiracional. A cooperação é, cada vez mais, uma vantagem competitiva real. Num ecossistema complexo como o da mobilidade, nenhuma organização responde sozinha a todos os desafios.As empresas que conseguem articular eficazmente equipas internas e parceiros externos ganham em velocidade, eficiência e capacidade de inovação. O verdadeiro desafio está em passar do discurso à prática, o que exige disciplina e consistência. Qual é a melhor forma de alinhar objetivos entre marcas, parceiros financeiros e concessionários, mantendo agilidade e foco no cliente? Neste processo, o que é mais difícil: alinhar interesses ou alinhar execução?Tudo começa com uma visão comum e objetivos claros, sustentados por uma execução consistente. Na maioria dos casos, alinhar interesses é relativamente simples, pois todos procuram crescer, acompanhar o mercado e servir melhor o cliente. O maior desafio está na execução: garantir consistência, rapidez e coerência entre todos os intervenientes.O mercado atual prioriza quem investe e prepara o futuro ou quem pensa mais a curto prazo?O mercado valoriza cada vez mais quem consegue equilibrar ambos. A curto prazo, é fundamental garantir competitividade e resultados para garantir os meios necessários para investir no futuro.A longo prazo, é crítico investir em inovação e transformação. As organizações que conseguem conjugar disciplina operacional com visão estratégica são as que se posicionam melhor para liderar no futuro. No contexto geopolítico atual, de incerteza e mudança, que características se impõem para as lideranças?Resiliência, capacidade de adaptação e clareza estratégica são essenciais. A estas juntam-se uma comunicação transparente e uma forte orientação para as pessoas. Em momentos de incerteza, as equipas procuram líderes que transmitam confiança, tomem decisões informadas e consigam equilibrar prudência com ambição.O conteúdo «A cultura não se impõe, constrói-se diariamente», explica Daniel Wukowitsch aparece primeiro em Revista Líder.